O autor (com todo seu carisma) presenteia seus leitores com um novo livro, abordando um tema complexo e muito interessante, num enredo ágil, forte, direto e fascinante: o encontro de duas almas predestinadas a se encontrarem e se amarem em várias vidas...
Em diferentes épocas...
Os personagens são fortes e envolventes, cada um com sua própria personalidade, sensualidade e malícia; que prenderão você ao texto num misto de interesse, curiosidade e encantamento...
Com toda certeza é um livro que vale a pena ler!!!
ZaFellgas ... escritora
Índice:
Capítulo 1 - Nos dias atuais... Rio de Janeiro...
Capítulo 2 - O início... Duas
vidas...
Capítulo 3 - Salvador, Bahia...
Uma passagem de vida...
Capítulo 4 - Parte final... A
partida nos dias atuais...
Sonho ou realidade...
No crepúsculo entre o sono e a
consciência, uma batalha se trava entre Guardiões dos Sonhos e dos Pesadelos.
Sem nenhuma explicação, temos sonhos eróticos,
requintados, desejáveis e enigmáticos, ficamos perplexos ao acordar.
Somos seduzidos pela realidade, que acontece
em rápidos flashes de imagens na vida real.
Quando tentamos desvendar estes
segredos, ai o impensável acontece:
Estes estranhos sonhos que intoxicam a
mente, são tão irresistíveis que nos rendemos a eles...
É como na paixão, onde sempre somos
consumidos, de corpo e alma.
Amar
é como sonhos, não é impossível... Como também não é proibido!
Capitulo 1
Nos dias atuais... Rio de Janeiro...
Nos dias atuais... Rio de Janeiro...
Meu encontro com Aldo
pela primeira vez, deu para perceber que ele não era apenas um rostinho
bonito...
Tive a certeza que
ele era o homem da minha vida.
Eu nunca havia
sentido com tanta intensidade de verdade um caso de amor, um amor maior, com
certeza até mesmo espiritual...
Eu não encontrava em
mim uma explicação lógica para isto estar acontecendo comigo.
Mesmo tendo sido
casada, ter tido meus namoricos na juventude, e outros relacionamentos com
os quais busquei amar e ser amada...
Inesperadamente
implodiu dentro de mim o amor por ele... Isto mudou minha vida e com
certeza a dele também, de forma irrevogável.
Prometemos um ao
outro o “para sempre”…
Tentamos fazer as
nossas próprias regras, e acabamos nos rendendo completamente ao poder
requintado do amor.
Mas em um momento de
impulso, eu tomei uma decisão que pode ter sido um dos motivos de nossas várias
separações.
Eu precisava confiar
tão desesperadamente que ele me amava...
Que mesmo quando era
óbvio o meu amor por ele, eu queria mantê-lo à distância para não sofrer...
O meu ciúme via nele
a infidelidade, via nele uma mente que poderia estar escondendo algo, evitando
e rezando para que seus pecados nunca fossem descobertos.
Nestes anos todos eu
sempre estava inventando maneiras de chegar perto dele!
Acabei descobrindo
que ele é a única fonte de oxigênio para eu viver.
(Aldo)... Foi depois
de um dia destes, em que porra alguma dá certo, e eu estava particularmente
mal-humorado, que ela começou a me mandar mensagens pelo celular... Como quem
não queria nada...
- Sinto falta dos
e-mails e das mensagens informando de suas aventuras... Sorriu com aqueles
montes de rsrsrs... Continuando a enviar mensagens...
Até que me revelou, e
eu notei certa satisfação em me dizer que teve outro alguém...
Depois da nossa
última separação, de quase um ano, quando eu também estava em um relacionamento.
Senti que ela
nitidamente quis mostrar pra mim, sem arrependimentos, que ela também poderia
ser feliz, e ser amada.
Imaginei, e não
conseguia entender... Quebrou a cara, e agora vem de novo, encher o meu saco...
Porra eu mereço!
Eu me perguntava...
Como ela pode depois de realizar um antigo sonho...
Fazer uma
lipo-abdominoplastia e outras micro cirurgias plásticas, deixando o seu
contorno corporal mais jovem e seu rosto ainda mais bonito...
E porque a Ana
não me procurou?
Preferiu se auto-firmar, procurando sexo e amor, com outro
alguém... Segundo ela mesmo, ainda me amando...
Parecia que eu estava
em meio a um foggy londrino, nublando meus pensamentos.
Só pude imaginar
outro homem, sem rosto, que penetrava nas suas profundezas, seu rosto era puro
êxtase e o seu corpo se contorcia em orgasmos.
Enquanto eu tentava
entender, ela continuava a mandar mensagens a todo o momento, eu ali lendo...
- Sabe... Aldo... Eu
na verdade tive esta relação pensando ter encontrado uma maneira de domar o meu
ciúme, e o meu amor machucado, e desprezado por você...
(Aldo)... Me
senti fora do jogo...
Mas não consumido por
ciúmes, tive vontade de mandar ela pra puta que pariu, e pedir pra ela me
deixar em paz.
Neste momento,
parecia estar se confirmando uma coisa em mim, quanto ao amor que ela jurava
ter por mim.
Apostei tudo, para
ver se Aldo, me entregaria o controle, ou eu estaria entregando o controle, e
qual seria o nosso limite... Neste jogo...
Talvez meu coração
soubesse de algo, que eu só poderia saber com o passar do tempo...
Até que algo
aconteceu e fez o nosso mundo girar mais uma vez...
Desta vez teria que
ganhar seu coração de novo e demonstrar a ele que eu mudei e queria o seu amor,
e ser tão somente amada...
Determinada a
resolver finalmente a nossa vida... Convidei-o pra vir ao meu apartamento...
Mas algo estava no nosso caminho...
Não demorou muito...
Comecei a falar, falar...
E o que era para ser
a princípio uma conversa amigável, acabou virando merda...
Deixei minha mente
infestada de caraminholas do passado agir...
Aí... Aconteceu...
Eu tento chutar, e
ele me pega de jeito, tento arranhar, mas minhas mãos estão fortemente seguras,
ele fala no meu ouvido:
(Aldo)... -
Para porra, com esta histeria... Cacete... Faça o que quiser, mas
hoje vou passar a noite aqui, e vamos resolver esta merda toda de uma vez por
todas... Porra...
Cheguei ao
quarto nem sei como, ele chuta a porta pra fechar, me largando em cima da cama.
Ainda em pé começa a
tirar a camiseta deixando a vista cada detalhe, cada centímetro de sua linda
pele negra...
Uma nova crise
momentânea de ciúmes toma conta de mim...
Puta que o pariu...
Só de pensar que outras mulheres tocaram, beijaram, lamberam este homem, me
sinto insegura frágil, com ódio...
E ao mesmo tempo, um
louco desejo toma conta de mim...
Mas...
Quando ele tenta me
despir... Tenho uma reação inesperada.
- Seu idiota, não me
toque... Seu. . . . Seu. . .
Não consegui xingar,
pois o que eu mais queria naquele momento era ser amada...
Olhei fixamente nos
olhos dele, que merda, ele me paralisa com o olhar...
Me diz apertando meu
rosto em suas mãos.
(Aldo)... -
Hey... Para com isto, Ana... Assim não vamos nos entender...
- Eu te amo...
Em seguida me recolhe
com todo o carinho em seu colo...
Eu não esperava essa
gentileza...
Queria ainda mais
bate boca entre nós para desabafar tudo que eu estava sentindo, mas ele me
desarma, com este gesto...
Choro em seus braços,
enquanto ele me abraça com força, em um arrependimento visível.
Sua boca toca
sutilmente a parte de trás da minha orelha, sua voz suave mas firme, repete por
várias vezes...
(Aldo)... -
Você é a mulher da minha vida, eu te amo...
(Ana...) Com a
voz embargada entre soluços de um choro incontrolável, eu disse...
- Também te amo, me
ajuda a lidar com este meu ciúme, por favor, amor...
Eu me sinto sozinha
sem você ao meu lado, na minha cabeça eu me sinto traída, enganada, usada...
Ele toca minha boca
com sua mão, me impedindo de prosseguir falando...
- Que merda. . . . Eu
também me sinto... Descartado, inútil, morto, humilhado...
(Ana...) - Me
perdoa amor. . . Me perdoa. . .
Choro magoada porque
você não imagina, mas teve dias em que eu te detestava mais do que te amava...
Deixei tudo,
enfrentei minha família por você...
Neste momento
esforçava para me manter fisicamente inteira, enquanto ele me possuía
fisicamente com seus braços, sustentando o meu corpo junto ao dele.
(Ana...) - Desde
que te conheci tudo o que eu queira era ser sua, você me dizia que era todo
meu... Meu... Meu de verdade...
Sinto ele suspirar e
gemer baixinho...
Minha lágrima se
mantém, quando eu olhei em seus olhos, noto que eles enxergavam através de mim.
Aproveitei para falar
o que eu sentia no fundo do meu coração.
- Devia ter sido eu
em todas as vezes que fizeste amor...
Devia ter sido só
você todas as vezes que eu me senti só...
As palavras são tão
doloridas de se falar tanto quanto de se ouvir, eu paro, minhas lágrimas não me
deixam continuar...
Percebo-o me despindo
como ele sempre faz.
A sua pele quente
contra a minha me faz sonhar em seus braços.
Me enrosco, me enrolo
mais e mais no seu corpo, neste momento somos o objeto da mágoa, e o consolo um
do outro.
Ele me puxa para mais
perto, ouço um suspiro, enquanto deixo escapar outro mais profundo.
Sei que ele não iria
me ter antes que eu recuperasse a consciência deste momento...
E com isto acho que
dormi chorando em seu colo, e quando acordo lá pelas tantas da madrugada, minha
cabeça dói meus olhos também, estou nua...
Antes de ele ter
qualquer reação eu o cheiro ferozmente, seu cheiro é inebriante, e peço
pra ele me amar...
Ele escorrega seu
corpo na direção do meu, já dentro de mim, pulsando forte, me sinto consumida...
Esquecendo a mágoa, a
raiva e o auto-ódio, que eu adquiri infelizmente.
Não queria me sentir
uma merda no dia seguinte, pelo que aconteceu...
Quando acordei pela
manhã, não vi em seu rosto nenhuma expressão de conflito.
Seus olhos percorriam
o meu perfil, como se quisesse me ter com mais intensidade...
Simplesmente fiquei
com medo de que ele tivesse sido só gentil comigo durante a noite passada, onde
eu chorei como uma alucinada em seus braços.
Se este foi o motivo
ia me quebrar toda novamente...
Pedi novamente para
ser amada.
Mas ele diz com os
lábios a centímetros do meu...
- Te amo... Te
amo...Te quero agora...
Olhando em seus
olhos quase que meio paralisada ainda, fiquei esperando pelas minhas
endorfinas aumentarem...
Mas meu corpo não
reage nos braços dele, pois não são minhas as emoções, são nossas...
Deixo-me ser levada.
. .
Sua mão bagunça
adoravelmente o meu cabelo...
Coloco minha língua
dentro da sua boca sugando a dele, meu coração acelera ao sentir o caralho
delicioso do meu homem dentro de mim novamente...
Neste momento o ar
esquenta entre nós, como se fosse fazer os nossos corpos entrar em combustão.
Estremeço da cabeça
aos pés ao sentir o jorro quente de prazer dentro de mim, em um gozo que tirou
todo o nosso fôlego, fodidamente e deliciosamente fora de controle...
Vamos para o chuveiro
nos refrescar, mordo o seu lábio inferior ao sentir que ele quer esquentar um
pouco a água, eu gosto de banho gelado...
Ainda estou trêmula,
sinto escorrer pelas minhas coxas, o calor do líquido ardente do meu homem.
Ele me protege com
seus ombros largos da água não tão fria, sinto seu polegar deslizar até o meu
queixo e puxando suavemente meu lábio inferior ele diz. . .
– Você é toda minha...
Com o sabonete ele
começa a ensaboar o meu corpo nu...
Como se fosse a
primeira vez a sua mão entre as minhas pernas, enquanto seus dedos me tocam,
ensaboado meus seios...
Esfregando o sabonete
nos meus mamilos, sinto sua outra mão quente e forte esfregando a minha
boceta...
Eu já quase sem
conseguir respirar direito, com água deslizando até meu queixo, enquanto ele
agarra a minha bunda.
Sinto a sua ereção
cutucar minha barriga, ele facilita a vontade que eu estava de sugá-lo...
Segurando na minha
cabeça, levemente empurrando na direção do seu sexo, isto me fez ficar de
joelhos, como se estivesse em adoração ao meu homem, comecei a beijar e sugar
loucamente...
Quando meus olhos se
movem para cima para encontrar os dele...
Noto o aumento
da testosterona que corre no corpo dele...
Meu sexo se contrair,
com ele pressionado a minha cabeça com as mãos, minha testa bater acelerada na
sua barriga.
Ele gemeu nesta fusão
de carne feminina contra o calor duro masculino, entrando e saindo
deliciosamente na minha boca.
Eu não conseguia
pensar em nada a não ser ficar cada vez mais louca de desejo...
Sentindo ele pulsar e
crescendo cada vez mais, eu pude sugar, até as últimas doces gotas almiscaradas
de seu sêmen derramado na minha língua...
Levantei, sem fôlego,
louca, quase sem respirar direito...
Ele me encostou
contra o frio azulejo, um arrepio percorreu meu corpo.
Ele gira em torno de
mim ensaboando e massageando a carne da minha bunda, este toque é familiar.
Sem perceber solto um
gemido quando eu o sinto faminto me desejando na mais louca emoção...
Nossos olhos se fixam
carentes, desesperados, famintos...
Meu coração bate cada
vez mais forte, aperto meus dedos nas suas costas unhando praticamente,
esmagando a boca dele na minha, suspiramos juntos quase em um gozo.
Eu procuro sua boca
neste momento, gosto de tocar sua língua, sentindo ela foder a minha.
Esta proximidade da
carne me anima, me sinto segura, presa a ele como se nada pudesse me puxar pra
longe dele.
Continuo beijando
enquanto ele desliga o chuveiro.
Enrola a toalha em
mim, e eu continuo grudada a ele, mordiscando com beijos o seu corpo...
Me leva mansamente de
volta para o quarto, esfrega suavemente a toalha no meu corpo, deslizando pelos
meus cabelos espetados.
Carinhosamente ele me
deita debaixo do edredom, eu já estava rangendo os dentes de frio (as minhas
vias aéreas se contraem com o frio).
Mas seu corpo quente
me esquenta, quando eu noto novamente a sua grande ereção, e advirto. . .
- Querido.... Você está
me deixando sem fôlego...
- É mesmo? Então me
diz quando seu fôlego acabar, mas até lá, vou te amar novamente, minha delícia
de mulher...
Nossos lábios se
encontram novamente, uma nova onda de calor se espalha pelo meu corpo.
Ele me vira docemente
na cama, beijando e lambendo minhas costas, e por trás abre minhas pernas,
minhas pregas crescem abafadas de prazer...
Sussurro me agarrando
ao travesseiro, dispara em mim uma onda de prazer incontrolável...
Seus dedos tocam a
minha fenda, ele morde as minhas costas, estou encharcada, meus gemidos de
prazer ecoam pelo quarto.
Enquanto sou tomada
de uma forma que eu nunca imaginei que seria. . .
Sentir meu homem em
mim assim desta forma, me deixou totalmente excitada...
Enquanto ele
massageava meu clitóris, meu corpo liberava o prazer de senti-lo colado na
minha bunda...
Entrando em mim
gradualmente, e me fazendo gemer em um misto de dor e prazer...
Delícia sentir ele
dentro de mim desta forma, me fazendo ter prazer como eu nunca tinha tido em toda
minha vida...
Os meus limites foram
além do que imaginaria ir, ele tem esse efeito avassalador sobre mim...
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Capitulo 2
Gamboa...
Reclinado sobre uma
suave colina... Próximo ao mar...
Ele foi um arrabalde
aprazível e pitoresco, escolhido pela aristocracia e pelos endinheirados do Rio
de Janeiro como local para suas chácaras e palacetes.
Bairro favorito dos
grandes negocistas ingleses na época do Império do Brasil.
A proximidade com o Centro
e com o porto era um fator de comodidade, portanto valorizado o bairro, foi o
local escolhido para receber o Cemitério dos Ingleses, uma das mais antigas
necrópoles do Brasil.
Marcado também pelo
lado vergonhoso da nossa história...
O Cemitério dos
Pretos Novos, descoberto por escavações, nos mostrou depois de muitos anos o
tratamento indigno dado aos restos mortais dos povos africanos, o Lago do
Depósito era área de venda de escravos.
Depois da campanha
militar da Guerra de Canudos, em 1897, a Gamboa recebeu os contingentes de
soldados que foram lutar na Bahia.
Nas encostas do Morro
da Providência, nasceu a primeira favela de que se tem notícia. O nome
"favela" provinha de um morro da Bahia, que era muito semelhante ao
Morro da Providência.
Nasceu oficialmente
como bairro, por meio de um Decreto Municipal, tendo sido oriundo do bairro da
Saúde, com o intuito de aumentar o desenvolvimento sócio-econômico da Zona
Portuária.
Dizem com toda
certeza que lá é o Berço do Samba Carioca...
Teve forte influência
da Cultura Negra da Bahia, na sua história.
Estivadores se
reuniam no local para cantar e dançar na Pedra do Sal, com suas escadas feitas
na rocha pelos escravos, que tinham que subir a rocha com pesadas sacas de sal
nas costas.
Surgiram no local os
primeiros Ranchos Carnavalescos, Afoxés e Rodas de Samba, num ritmo contagiante
de mistura de costumes da época...
A palavra
"Gamboa" quer dizer remanso dos leitos dos rios, quando se tem a
impressão de ser um lago.
Assemelha-se ao
aspecto físico do bairro, que se localiza numa zona de águas mais calmas da
Baía de Guanabara.
E neste ambiente
festivo nasceu...
O Negro de Gamboa...
Na subida da ladeira na casa cinco...
O nome não importa,
Vamos preservar o essencial.
A sua história.
Vamos deixar assim...
Recebeu este apelido,
pela sua aparência calma.
Com formação
acadêmica, isto fez dele um poeta, flautista e músico de mão cheia.
Dizia que o chorinho,
Sonhos... Composição do Mestre Alfredo, o famoso músico e compositor
Pixinguinha, era a composição que ele gostaria de ter composto...
Até quando jogava
capoeira, era manso...
Mas não deixava de
ser preciso nos seus golpes.
Portando a sua
inseparável navalha em uma das mãos, nos confrontos com os inimigos, ou com a
milícia.
Que perseguia quem
fizesse uma roda de samba, ou de capoeira.
A sua alegria,
poderia sempre ser vista nas Rodas de Samba da Tia Ciata...
Negro era um prosador
nato, bom de lábia, farto em tiradas, dotado de um humor ferino, cáustico.
A cama ele
transformava em um palco, para as mulheres...
Onde ele era o
protagonista, e elas, o espetáculo!
Os temas iam até onde
o imaginário podia chegar.
Não bastasse isso,
ainda gozava de uma autocrítica impagável, gostava de fazer vozes e imitar
personagens reais ou imaginários.
Causando risadas, às
vezes, gargalhadas.
Sua irreverência e
ironia já estavam estampadas no seu rosto...
Isto ficou evidente no dia em que ele foi barrado, em um certo time que
nasceu no bairro de Flamengo, indo com o passar dos anos para a Laranjeiras.
Achando que o motivo
de ser barrado para jogar na agremiação seria por ele ser negro, apesar do bom
futebol que ele jogava, não deixou barato, tirou o calção no meio do campo,
mostrou o tamanho do seu... (Futebol), para o técnico, está sua atitude acabou
por humilhar vários jogadores a sua volta...
Mas nada mexeu tanto
com ele...
Do que quando
conheceu a mulher por quem se apaixonou...
Este amor foi cantado
nos versos do samba de Araújo Monteiro, amigo e companheiro do Negro, nas
noitadas pelas ruas e becos do bairro, e no boêmio bairro da Lapa...
Ah!...
De
repente o amor tomou conta de mim.
Com
você...
Sorrindo
para mim...
Parecia ser mais um
caso de simples execução de sentimentos.
Entre um homem e uma
mulher...
O amor...
Não é diferente
quanto à autenticidade nos sentimentos.
Não importa a cor da
pele...
O que importa é a
forma de como esse sentimento passa a ser vivido...
Filha de alemães...
Que fugiram dos
horrores da primeira Grande Guerra Mundial, mais conhecida como A Guerra das
Guerras...
Ela não era loura e
nem ruiva.
Dez, ou doze anos
mais velha que ele.
Seu corpo rosado
brilhava, e dele exalava um odor envolvente...
Depois de uma noite
inteira na cama com ela...
Acordava sempre com
uma leve dor de cabeça, por causa daquele odor...
Apesar disso, era
para mim como amanhecer no paraíso...
( Negro...) A tarde
caía gostosamente quando eu...
Desci do bonde 104 no
Largo do Machado, o bonde era o mesmo, que num dia de muita felicidade, eu
conheci a minha estrela disponível... O meu grande amor Dalva.
Estava vindo lá
dos lados do Jardim Botânico, ali perto aconteceu o início do nosso romance...
Era no Café
Metrópole, que ficávamos sempre sentados na mesa do lado de fora...
Saboreando o habitual
expresso duplo para mim, pra ela sempre um sofisticado cappuccino com
complementos pseudo-italianos.
Naquele dia...
Lá estava eu no mesmo
lugar, e na mesma mesa...
Recordando o nosso
primeiro encontro...
Recordo-me que era uma
tarde cinzenta fora dos padrões desta cidade onde o sol faz morada...
Eu acendi um cigarro,
ela não manifestou objeção, apesar de não fumar.
- E então, ficou
satisfeito por me conhecer?... Perguntou ela.
- Sem dúvida... Confirmei.
- O que planeja fazer
agora? Me ter na sua vida...
- Provavelmente... Sorri dizendo...
Percebi que ela não
tinha meias palavras, falava na lata mesmo.
(Dalva...) - Quem me
dera ter um homem como você na minha vida...
- Você mexeu comigo
desde o primeiro momento que meus olhos te encontraram, sentado no bonde lendo
e cantarolando as suas partituras musicais...
- Confesso que meu coração disparou quando nos olhamos, e um sorriso apareceu no seu rosto...
Ela tinha olhos
verdes, e o cabelo ruivo escuro, estava preso em um coque, usava uma
franja fina sobre sua testa... Infelizmente, falava mais que matraca de
semana santa, mas eu estava disposto a escutar...
- Sou professora...
Eu gostaria de fazer um doutorado, mas acho que não estou pronta, talvez dê
aulas de alemão em algum lugar.
- Várias pessoas me
pediram.
- E se eu te pedir
para me ensinar a amar na sua língua? Perguntei.
- Sim, ensinaria com
todo o prazer... Respondeu...
- E, você me
ensinaria a amar na sua língua?
- Perguntou ela,
dando um sorriso tímido e maroto.
- Na minha língua, no
meu corpo, na minha alma...
- Acho que você é boa
nisso.
- Acha mesmo? -
Sou apaixonada pela sua cor, gostaria de ter ela e não ser como eu sou, branca
como leite, passo mal quando vou a praia com o sol, sabia?
(Preto...) -
A sua cor rosada, é bonita de se ver tocar e beijar querida...
(Ana...) - É
gentileza sua dizer isso.
(Preto...) Tomei
um gole de café, estava quente, forte e doce, tinha colocado quatro cubos
de açúcar e misturado bastante para apagar o amargor original.
(Ana...) - Acho
você lindo, um homem desejável... Acrescentou ela.
No mesmo instante ela
baixou os olhos, quase batendo os cílios na borda da xícara do café,
pelo jeito ela não tinha certeza se havia dito isto mesmo...
Ou tinha imaginado
que falou.
Rapidamente me
perguntou:
- Você tem uma paixão
intensa, pela música...
- Acho que sim, e
pela literatura também...
Ela olhou para frente
com um olhar vago...
Eu reparei que o
pescoço dela estava vermelho até o decote...
Outro detalhe, o seu
sutiã branco, exibia a parte superior macia e lustrosa dos
seios espremidos.
Em uma blusa branca,
presa na cintura, que enfatizavam sua opulência.
O sinal foi
inconfundível, neste momento.
O propósito deste
encontro não era exatamente permanecer aqui no... Café...
Era óbvio.
Prendi a respiração
por um instante, enquanto avaliava a situação...
Nossa, ela era
muito atraente...
Um pensamento
passageiro veio em minha mente...
Na época da minha
adolescência tive mulheres mais novas e mais velhas.
Na minha percepção,
isto representou um fosso direcional...
Desde então,
desfrutei de muitas mulheres...
Em uma busca
incansável de formular uma geografia do prazer...
Será que este era o
momento de formular a geografia certa?
Por que não tentar?
(Preto...) Passei
a mão lentamente pela textura de madeira da mesa
Encostei as pontas
dos meus dedos nos dela.
Senti um choque de
desejo que percorreu meu corpo...
Suas unhas longas e
afiadas pintadas de vermelho, dois anéis pesados, um deles com um pequeno
diamante.
Ela olhou para a
própria mão e respondeu uma pergunta não formulada...
- Estou noiva há um
ano, ele está na Alemanha... Me visita uma vez por ano...
- Caso você queira
saber... Não sei mais se é pra valer este noivado.
Gostava da forma que
ela modulava as palavras com seu sotaque alemão.
Respondi, rápido... -
Entendo...
E pensei mais rápido
ainda.... Foda-se o noivo dela...
As palmas das mãos
dela estavam surpreendentemente quentes quando eu toquei.
- Você só vai
responder isto?
Perguntou ela com um
ar de quem já estava querendo o óbvio...
- Não... Eu
disse... E sem mais delongas...
Uma hora depois, já
estávamos no quarto de Hotel ali mesmo no centro da cidade, ouvindo pela janela
aberta o rumor das pessoas que passavam na calçada conversando alto.
(Ana...) O poder
de sedução dele falou mais alto, queria sentir seu beijo quente e ele beijou
com força meus lábios...
O hálito dele era uma
mistura de cigarro, café, desejo e calor subindo do estômago... Eu estava
amando sentir o seu gosto... Tudo neste homem me seduzia.
Sua respiração parou
quando minhas mãos alcançaram seu rosto, recebendo o toque dos meus carinhos..
O peito
dele pressionou contra o meu, espremendo as pontas duras dos meus seios,
revelando toda a minha excitação...
A respiração dele
aqueceu a pele do meu pescoço.
E quando ele passou
delicadamente a língua pela minha orelha esquerda, mordiscando o lóbulo e
lambendo por dentro, causou em mim um efeito imediato.
Fiquei tensa de
prazer na expectativa... Fechei os olhos...
Já estava lambuzada,
em vias de gozar só com estes entremeios que ele estava me proporcionando.
Ele começou abrindo
os botões da minha blusa, eu prendi a respiração...
Botão após botão,
libertou a maciez da minha pele...
Senti sua respiração
aumentar...
A cada passo a blusa
ia se abrindo e caía para o lado, dando toda a liberdade para ele...
Havia alguma coisa de
especial em Dalva...
Ao sentir sua forte
respiração movendo seus seios, na minha direção...
Fiquei alucinado...
Eram morros íngremes,
em que eu poderia escalar de todas as formas.
Nunca tinha tido em
circunstâncias sexuais normais, o prazer de ter exemplos tão expansivos de
opulência.
Dalva era uma mulher
grande, com personalidade e exuberância natural em cada curva do seu corpo.
Com as mãos trêmulas
ela desceu o zíper da minha calça, agora mais apertada, dei um passo para
trás, para ela sentir sem pressa ele ser libertado, com toda a sua rigidez.
Estiquei uma das mãos
na direção da Dalva, passei dois dedos pelo cabelo cor de fogo...
Encontrei uma suave
resistência de dezenas de grampos que prendiam o seu delicado penteado.
Ela... Suspirou...
Comecei a extrair
cada grampo em um movimento lento e deliberado...
Soltando as mechas do
cabelo uma de cada vez...
Observando-as se
libertarem, e caírem pelos ombros dela...
Se aninhando
calmamente sobre as tiras finas do sutiã.
Era por esses
momentos que valia a pena viver...
A calmaria antes da
tempestade, num ritual de descobertas.
Sabendo que o ponto
tinha sido alcançado, rompido, e que o sexo agora, era inevitável.
Mas eu queria mais...
Eu queria saborear
cada momento.
Diminuí a velocidade
até que fossem se armazenando cada lembrança em nossas células cinzentas do
cérebro...
Este é o tipo de
lembrança que se torna um banquete para o resto da vida.
Eram imagens
completamente novas para mim e para ela...
Os seus dedos
percorrendo o meu corpo, e o membro endurecido e ereto.
Eu beijando seus
seios, tocando seu corpo molhado de desejos...
Imagens indo direto
até o cérebro, evitando o processo dos nervos óticos.
Queria que toda esta
experiência fosse armazenada de uma maneira bastante particular, e que se
tornasse inesquecível, e imortal...
Respirei fundo,
sentindo o leve e nada familiar aroma do óleo de cacau.
- Qual é seu perfume?
Perguntei intrigado pela fragrância incomum.
- Ah, sim o meu
perfume... Disse com um sorriso sedutor...
- Só que não é
perfume, é o creme que passo na pele todos os dias de manhã, deixa meu
corpo macio... Você não gostou?
- É diferente, devo
admitir...
Era estranho, mas é
delicioso sentir que cada mulher tinha um cheiro distinto, como se fosse uma
assinatura.
Um equilíbrio
sensorial delicado de aromas naturais, perfumes artificiais e óleos, doces e
azedos.
Dalva abriu o
sutiã...
E seus seios se
libertaram, surpreendentemente altos e firmes...
Passei minha mão
pelos mamilos marrons escuros e rígidos...
Ela fechou os olhos e
soluçando, gemeu profundamente...
- Dalva você é
deliciosa...
Ela sorriu com um tom
provocador...
- Se você diz, então
me prove toda, todinha...
O olhar inquieto dele
com um sorriso enigmático nos lábios carnudos... Me observava.
Abrindo o zíper da
minha saia estampada, deixando-a cair no chão, saindo dela com um passo, ainda
com os sapatos marrons de couro.
As suas coxas eram
fortes.
Seu corpo alto e
harmônico.
Tinha os seios
imperiosos em riste.
A sua calcinha preta
de cintura reta que combinava com as meias sete oitavos.
Transmitia uma certa
postura dócil e agressiva, mas estava pronta para se curvar...
Diante do meu desejo.
Trocamos olhares por
alguns segundos.
Desabotoei a
camisa deixando-a cair no chão acarpetado, enquanto ela observava
com atenção...
Com um sorriso
cúmplice, meu olhar percorreu os lábios dela.
Ela permaneceu
impassível, com os olhos nos meus, me encorajando silenciosamente a
continuar me despindo.
Ela por sua vez se
inclinou, tirando os sapatos...
Com um movimento
rápido das pernas, enrolou as meias finas de náilon até os joelhos, depois
as tirou, e quando estava prestes a tirar a calcinha...
Eu interrompi com uma
das mãos o seu movimento...
- Espere – Eu disse... Ela
interrompeu o movimento com respiração ofegante...
Fui para trás dela,
enfiei um dedo dentro do elástico apertado da calcinha.
Pude admirar a
solidez e a perfeição arredondada dos seus glúteos.
Dessa nova
perspectiva admirei as pintas espalhadas aqui e ali na paisagem das costas
nuas de Dalva.
Puxei a calcinha em
um movimento rápido, revelando a paisagem do seu traseiro duro...
Ela deu um passo para
terminar de tirar a peça, que eu embolei na mão jogando do outro lado do quarto.
Fiquei de pé atrás
dela que se apresentava completamente nua...
- Vire-se para mim
Dalva...
Ela estava com os
pelos na forma singularmente arredondada.
Sua abertura
claramente delineada como uma linha geométrica, mais clara o oposto de sua pele.
Estiquei um dedo em
direção à virilha dela... Senti o calor que irradiava dali...
Insolentemente
deslizei um dedo para dentro dela... Ela estava muito molhada.
Ela gemeu loucamente,
me olhou nos olhos procurando a minha fome.
- Me fode, meu
homem... Me fode toda... Ela disse já quase implorando...
Foi maravilhoso,
incomum, inesquecível, inebriante...
- Sr. Heitor... Sr...
- Oi Paulo... Parece
que dei uma boa cochilada...
- Desculpe-me ter
acordado o senhor assim...
- Está vindo do Largo
do Machado, uma turma de foliões.
- Vamos retirar as
mesas do lado de fora pra evitar bagunça, tem uma mesa disponível para o senhor
lá dentro...
- Agradeço a
gentileza Paulo... - Mas quer saber meu velho amigo, vou até lá me divertir um
pouco...
Mesmo com os meus
quase 80 anos, se ainda tivesse a Dalva aqui do meu lado, íamos cair na
folia... Divertíamos muito.
De longe se ouvia o
canto, as pessoas se agitam para ver...
São umas mil pessoas
ou mais...
Devem ser
jornaleiros, talvez engraxates, lavadeiras, cozinheiras, mulatas, e caboclas.
Em torno do surdo de
barril, a base de cuícas, tamborins e pandeiros.
Que batem forte
fazendo tremer a massa do povo...
Divertem-se...
Cantando alto, entre
confetes e serpentina na Batalha de Confete do Largo.
É a voz do samba que
se alastra rasgado pela cidade...
É... Carnaval...
Levantei e saí em
direção ao Largo do Machado.
Já estando do outro
lado da rua escutei...
- Senhor... Senhor
Heitor... Esqueceu suas partituras aqui na mesa...
Respondo sorrindo
para o Paulo... - Eu pego na volta...
As tais partituras,
nunca foram resgatadas...
No meio das folhas
cansadas de serem manuseadas.
Tinha uma
folha... Já amarelada pelo tempo...
Continha um pequeno
poema... Feito com certeza para sua amada...
A
vida também...
É
uma imensa molecagem.
A
minha estrela disponível.
Eu
amei... E amarei...
Em
vida, mulher alguma me fez tão feliz .
........................................................................................................
Capitulo 3
Salvador,
Bahia... Uma passagem de vida...
A partir do momento
em que meus olhos se encontraram com os dela, mesmo na penumbra da luz vermelha
da sala do inferninho na cidade baixa, senti que ela me pertencia...
Apesar de serem livres, sofriam muita discriminação por serem negros e seguidores do islamismo.
Em função destas condições, encontravam muitas dificuldades para ascender socialmente.
Exerciam atividades livres, conhecidos como negros de ganho eram alfaiates, pequenos comerciantes de seda, artesãos e carpinteiros.
Isto resultou na Revolta dos Malês, um movimento em que foram libertados muitos escravos; ocorreu na cidade de Salvador (província da Bahia).
Sua tia avó, por parte de mãe, viúva e bisneta de um famoso Capitão de Embarcação Negreira, que morreu na Costa Africana, em alto mar por causas desconhecidas, mas ela era bem conhecida, como cuidadora de quengas mais famosa de Salvador.
Como resultado a nobreza e esplendor dos edifícios públicos e particulares desta cidade, fruto do tráfico transatlântico de africanos escravos.
Eu seguia uma antiga crença religiosa trazida de Portugal para a Colônia, por soldados portugueses que chegaram a usar em batalhas, e aqui com o tempo acabou se misturando nos cultos afros.
Eu passei a usar também, uma hóstia consagrada guardada em um pendente de prata no pescoço.
Segundo a igreja católica é o próprio Corpo do Senhor Vivo...
Na crença popular era usada nos rituais de cultura afros, para que o portador ficasse com o Corpo Fechado, contra todas as forças do mal. O roubo de hóstias nos tempos do Brasil Colônia, resultaram até em pena de morte.
Sem limites nos meus poemas.
Representada na expressão adverbial com intensidade...
Meus poemas foram versados pelas ruas do Pelourinho por poetas, e cantadores populares.
Já estava me transformando em almofadinha, abastado, que frequentava lugares chiques, passava às férias a beira mar na ilha de Paquetá, e no inverno subia a serra em direção a Petrópolis...
O mar banhava a subida do sopé do morro, fechei os olhos e meus pensamentos se voltaram para Naliana...
Recebi um convite do meu Mestre Edison, o grande Bimba, mestre dos mestres de capoeira em Salvador, para participar na sua Academia, que hoje já estava recebendo alunos da classe média de Salvador, para o primeiro Congresso da Cultura Afro-Brasileira.
A bordo do bi-motor Douglas DC 3 da Real Aerovias, ao chegar, descansei a mala no chão no saguão, acendi um cigarro pensando no que iria fazer voltando aqui, com a minha vida...
O modelo de beleza continuava sendo mulher magra e bronzeada.
E para ser sofisticada não podiam faltar sobrancelhas e pálpebras a lápis, pó de arroz bem claro, se espelhando no modelo de beleza das atrizes norte-americanas, Greta Garbo é uma delas.
E pelo prazer de rever meu Mestre e de ter a irresistível Naliana, novamente nos meus braços.
Sem reservas de preconceito ou pudor que tem assombrado minhas noites...
Chegando ao hotel joguei a mala na cama, tomei um banho e vesti um paletó branco. Naliana gostava de me ver vestido assim, e fui para o bairro de Gamboa de Cima, o novo endereço dela.
Bati na madeira marrom da porta, com uma estranha sensação de resignação... Ouvi um entra, está aberta...
Fiquei maravilhado, sem palavras...
Uma quantidade enorme de telas, quadros por acabar e obras já prontas, estavam espalhadas pelo quarto...
Preto, fiquei chocada com a atitude política nazi-fascista do nosso presidente.
Na semana Preto que você partiu...
Queimaram em frente a Escola de Marinheiro, ao lado do Mercado Modelo a primeira edição do livro do Jorge Amado, Capitães de Areia...
Ela gemeu com um frescor no hálito, alfinetando com uma das mãos o meu pau.
Esmagamos em outro beijo forte, trêmulo, numa onda de sentimentos profundos de amor e compaixão.
Que aumentava a cada batimento cardíaco...
Bambeei, com o seu sorriso de emoção, vi nos olhos dela um brilho de malícia e diversão, e lá no fundo algo mais...
Andei com passos calmos até uma das janelas do cômodo que ela ocupava, eram voltadas para a vista maravilhosa da Baía de Todos os Santos...
Eu... Eu estou limpa.... Sempre fiz exames periódicos, eu... Eu estou limpa...
Como ele não falou nada, comecei a caminhar até o meu armário sem olhar pra ele...
Ficou parado em frente à janela...
Enquanto pegava uma bata de linho e a calça branca, que eu tinha prometido dar a ele de presente, para ser usada na Lavagem do Bonfim na Colina Sagrada, guardei todo este tempo esperando o dia da sua volta...
- Meu... Vatapá do meu Acarajé... O camarão bem temperadinho...
- O meu azeite delicioso...
Eu me virei, tracei os dedos ao longo do cós da sua calça acariciando com meus dedos, com especial atenção na trilha de cabelos que seguiam abaixo da cintura...
Eu abri minha boca e chupei o meu gosto em sua pele... Imediatamente provocou uma nova onda de excitação em mim...
Dava para ouvir ele se movendo na minha carne cremosa, encharcada pelo desejo...
Depois foi com mais força, mais força, eu gemia gostoso e queria mais, levantei a pélvis contra sua rigidez, para aumentar a pressão, até me fazer gozar, e ele continuou, dentro de mim; gozei loucamente por várias vezes...
Agarrei sua boca silenciando os seus gemidos, suando quase sem respiração, foi diminuindo o ritmo lentamente, saindo de mim...
Quando ele me segurou e acariciou meu cabelo com a palma da mão, me beijou, e o calor do beijo me queimou, indo o calor direto para o núcleo...
Enrolei-me na toalha em frente ao espelho...
Meus olhos castanhos brilhavam, e o brilho deles voltavam pra mim.
Eu me sentia mais viva, sempre que ele me amava...
Meu cabelo longo e escuro caía molhado pelas minhas costas, meus lábios estavam inchados com os beijos dele, a pele do meu rosto ainda estava corada pelo contato com a barba serrada...
- Quando estamos juntos você tira meu fôlego e quando estamos separados, eu me sinto perdida...
Ele deu um largo sorriso, beijou meus seios, me deu um abraço bem apertado.
- Eles me ajudam a viver, você ressonando ao meu lado acalma a minha alma...
A mente é uma rede complexa, e a memória é importante, mas é muito duro retirar dela as lembranças erradas do passado.
Mas as lembranças podem ser suavizadas ou encurtadas, eu estava ali para poder enfeitar o passado e tornar o presente diferente...
A boemia...
Começa e termina no
Pelourinho e tem suas ramificações na cidade baixa...
Tem
o berimbau que chama a capoeira a qualquer hora do dia.
Com aquelas
esculturas negras e brancas, que fazem com os pés e as pernas, volteios que boa
parte da humanidade não consegue fazer nem em pensamento.
Baiano que é baiano,
fala porra a cada dez palavras, porra é tudo, menos a porra impropriamente dita
em outros estados.
Frequenta os
terreiros de santos da religião africana para cultuar os orixás.
Com seus bares nas
esquinas, nas bocas, nas jogatinas, nos cortiços, e nos inferninhos.
As casas da Ladeira
da Montanha e ao seu redor formam... “Um laço mágico de puteiros”, que
funcionam como engenho bélico, frequentados por marinheiros que chegam ao
porto...
Meu destino depois de
uma noite na mesa de carteado.
E de moderado
bebericamento...
Era o famoso número
setenta e um da Ladeira. . .
Onde eu ia buscar um
acalanto nos braços de Naliana...
Seus olhos brilharam
junto com seu lindo sorriso e a sua dentição que pareciam pérolas brancas, seu
corpo esguio, estava coberto por um vestido de um branco imaculado, trazia no
ombro um Pano da Costa preto. (pano vindo da Costa da África).
Era impossível
resistir, ela valia o que eu ainda tinha no bolso, mas isto não foi preciso,
Naliana dormiu comigo, onde ela tirava o seu sustento na noite...
Filha de bravos
negros descendentes dos Malês (muçulmanos do Sudão da África).
Apesar de serem livres, sofriam muita discriminação por serem negros e seguidores do islamismo.
Em função destas condições, encontravam muitas dificuldades para ascender socialmente.
Exerciam atividades livres, conhecidos como negros de ganho eram alfaiates, pequenos comerciantes de seda, artesãos e carpinteiros.
Isto resultou na Revolta dos Malês, um movimento em que foram libertados muitos escravos; ocorreu na cidade de Salvador (província da Bahia).
Tinham como sua principal arma a Capoeira,
eram imbatíveis...
Usavam entre as
vestes, uma cópia do livro sagrado do Islã, o Alcorão.
A sociedade fundada
por eles era tão secreta que até nos dias de hoje, não se tem
conhecimentos dos verdadeiros lideres da revolta...
Naliana fazia morada
na famosa casa de costumes de Dona Ana Saquenga...
Sua tia avó, por parte de mãe, viúva e bisneta de um famoso Capitão de Embarcação Negreira, que morreu na Costa Africana, em alto mar por causas desconhecidas, mas ela era bem conhecida, como cuidadora de quengas mais famosa de Salvador.
Os Capitães eram
responsáveis por boa parte do sucesso das grandes fortunas baianas, com rentável
comércio escravo entre a Costa da Mina e a Bahia.
A cidade de Salvador
enriqueceu com estas viagens promissoras...
Este lucro se seguiu
na construção de tantas igrejas e templos ricamente ornamentados com pedras
preciosas, ouro e prata...
Como resultado a nobreza e esplendor dos edifícios públicos e particulares desta cidade, fruto do tráfico transatlântico de africanos escravos.
Uma pequena parte era
usada pelas igrejas para manter Senzalas Livres, escondidas nos porões das
igrejas para abrigar escravos fugitivos e alforriados, uma delas foi a Igreja
de Nossa Senhora do Carmo no alto do Pelourinho.
Nesta história,
acabei virando... O Protetor, dela...
Com a minha navalha e
jogando capoeira como eu, era difícil alguém ter a ousadia de me desafiar nesta
cidade.
Eu seguia uma antiga crença religiosa trazida de Portugal para a Colônia, por soldados portugueses que chegaram a usar em batalhas, e aqui com o tempo acabou se misturando nos cultos afros.
Eu passei a usar também, uma hóstia consagrada guardada em um pendente de prata no pescoço.
Segundo a igreja católica é o próprio Corpo do Senhor Vivo...
Na crença popular era usada nos rituais de cultura afros, para que o portador ficasse com o Corpo Fechado, contra todas as forças do mal. O roubo de hóstias nos tempos do Brasil Colônia, resultaram até em pena de morte.
Como poeta...
Em alguns dos meus
poemas eu citava aquela mulher que ao som dos seus balangandãs no
pescoço, a sua saia branca redonda, servia quitutes com óleo de dendê e
leite de coco, era a Baiana mais famosa em frente ao Mercado Modelo.
A mulher dos meus
sonhos era idealizada assim...
Sem limites nos meus poemas.
Representada na expressão adverbial com intensidade...
Meus poemas foram versados pelas ruas do Pelourinho por poetas, e cantadores populares.
Mas um dia tive que
me dividir...
A minha transferência
como funcionário federal para uma porra de uma repartição no Rio de Janeiro.
Mudou a minha vida, eu pensava que seria
bom para mim, mas como se diz, quem perde a inocência ganha a
culpa... Foi um puta tormento na minha vida...
Não conseguia me ver
sem a Naliana, mas para meus pais foi maravilhoso me ver longe daquela vida que
eu levava em Salvador.
Mesmo mantendo
contato por carta eu não conseguia me libertar deste amor...
Dois anos foi o
bastante, para eu não ser nem a sombra do boêmio fanfarrão de tempos atrás.
Já estava me transformando em almofadinha, abastado, que frequentava lugares chiques, passava às férias a beira mar na ilha de Paquetá, e no inverno subia a serra em direção a Petrópolis...
Um belo dia
acompanhando minha mãe que era fervorosa devota de Nossa Senhora
da Glória, na subida do Morro do Outeiro da Glória...
O mar banhava a subida do sopé do morro, fechei os olhos e meus pensamentos se voltaram para Naliana...
A verdade é que temos
de forçosamente nos habituar às perdas nesta vida.
Todos perdemos, no
presente do indicativo... Amores...
E se ainda não perdemos...
No pretérito
perfeito...
No futuro, poderemos
perder...
Aí... Fudeu tudo...
Porque quando se
trata de uma particular obsessão o desejo supera a cautela.
Ao chegar em casa na
Quinta da Boa Vista...
Recebi um convite do meu Mestre Edison, o grande Bimba, mestre dos mestres de capoeira em Salvador, para participar na sua Academia, que hoje já estava recebendo alunos da classe média de Salvador, para o primeiro Congresso da Cultura Afro-Brasileira.
Foi à gota... D'Água...
Pedi licença na
repartição, e dois dias depois, estava eu olhando pela pequena janela do avião
a ilha de Itaparica, estava chegando ao aeródromo de Santo Amaro do Ipitanga em
Salvador.
A bordo do bi-motor Douglas DC 3 da Real Aerovias, ao chegar, descansei a mala no chão no saguão, acendi um cigarro pensando no que iria fazer voltando aqui, com a minha vida...
Os tempos estavam
mudando muito rápido, principalmente na Capital Federal do Rio de Janeiro.
As mulheres já
estavam usando saiotes de praia mais curtos, as cavas e os decotes aumentaram,
chegando até a cintura, assim como os vestidos de noite.
O modelo de beleza continuava sendo mulher magra e bronzeada.
E para ser sofisticada não podiam faltar sobrancelhas e pálpebras a lápis, pó de arroz bem claro, se espelhando no modelo de beleza das atrizes norte-americanas, Greta Garbo é uma delas.
Enquanto o chofer
dirigia, meus pensamentos se misturavam com a paisagem que passava
rapidamente pela janela do carro. De repente olha eu aqui de novo, novamente
dominado pela beleza desta cidade.
E pelo prazer de rever meu Mestre e de ter a irresistível Naliana, novamente nos meus braços.
Sem reservas de preconceito ou pudor que tem assombrado minhas noites...
Chegando ao hotel joguei a mala na cama, tomei um banho e vesti um paletó branco. Naliana gostava de me ver vestido assim, e fui para o bairro de Gamboa de Cima, o novo endereço dela.
No velho casarão
entrei pelo escuro corredor, subi as escadas que ficavam no fundo até o
terceiro andar; o quarto dela estava com a porta encostada.
Bati na madeira marrom da porta, com uma estranha sensação de resignação... Ouvi um entra, está aberta...
Entrei... Olhei para
o interior do quarto a procura dela...
Fiquei maravilhado, sem palavras...
Uma quantidade enorme de telas, quadros por acabar e obras já prontas, estavam espalhadas pelo quarto...
Naliana me acenou com
um gesto com a cabeça, e um doce sorriso...
Fechei a porta dando
uns dois passos para frente, desabotoei o paletó engolindo seco,
fazendo com que meu pomo de adão aparecesse...
Ela começou a falar
ainda sentada na cama...
- Meu Preto... Se
veio me pedir desculpas, eu já te perdoei há muito tempo, agora se você veio
dentro do amor, pra me ter novamente, saiba que eu sempre sonhei com este
momento...
- Seje bem
vindo, a minha nova vida...
Agora, além de quituteira, também como você
sou artista plástica, saiba que já estou começando a ter nome no círculo
da arte da cidade, vendo por um bom preço as minhas obras...
Preto, fiquei chocada com a atitude política nazi-fascista do nosso presidente.
Na semana Preto que você partiu...
Queimaram em frente a Escola de Marinheiro, ao lado do Mercado Modelo a primeira edição do livro do Jorge Amado, Capitães de Areia...
Porra... Eu já falei
demais meu Preto...
Neste instante
levantou com um raio, vindo na minha direção...
Tentei responder, mas
ela não deixou.
Abraçou pelo pescoço
e me beijou, mordeu meus lábios, sua língua mergulhou na minha boca, senti um
calor que percorreu o baixo ventre dela e o meu sexo...
Ela gemeu com um frescor no hálito, alfinetando com uma das mãos o meu pau.
Esmagamos em outro beijo forte, trêmulo, numa onda de sentimentos profundos de amor e compaixão.
Meu coração batia
forte...
Ela me olhou nos
olhos com um calor incandescente de desejos.
Que aumentava a cada batimento cardíaco...
Bambeei, com o seu sorriso de emoção, vi nos olhos dela um brilho de malícia e diversão, e lá no fundo algo mais...
Como se fosse um
convite, ela se afastou lentamente indo se sentar novamente na cama, seus olhos
brilhavam com excitação.
Por uns instantes
ficamos sem palavras...
Andei com passos calmos até uma das janelas do cômodo que ela ocupava, eram voltadas para a vista maravilhosa da Baía de Todos os Santos...
Acendi um cigarro
olhando para o interior do quarto, lá estava ela.
Com a cor
bronze brilhante, sem precisar expor ao sol.
Como um veneno que
tonteia.
Com seu cabelo úmido,
pois acabara de sair do banho.
Seu cheiro era
de prazer, seu perfume de alfazema misturada com ervas...
Sinto em mim o cheiro
da sua pele, como se tivesse entrado no meu corpo, pelos meus poros.
Sentada com a perna
cruzada, com o tornozelo apoiado ao joelho...
Naliana usava uma
bata de um colorido simples, e bem curta, deixando aparecer boa parte de suas
coxas grossas, lisas e brilhantes; mantinha um olhar doce e penetrante...
Seu lindo sorriso se
misturava com as cores da colcha de retalhos, que contrastava com o escuro e
velho assoalho de madeira.
Ela levantou o dedo
na direção de uma garrafa em cima da penteadeira, apesar de não ser mais um
biriteiro, derramei a bebida no copo e voltei para a janela.
O fim de tarde estava
lindo naquele momento com o sol se pondo...
Tentava desta forma,
ingerindo este estimulante etílico, acalmar os meus nervos... Naliana falou...
- Preciso conversar
com você.
- Acho melhor mesmo,
vim para um Congresso na Academia do Mestre Bimba e desenrolar a nossa vida,
nem sei se vou conseguir...
Neste instante ela
dispara em mim um olhar endurecido pela minha resposta vaga...
- Para de bestice meu
Preto... Precisamos sim conversar, você vai me ouvir... ???
Ela levantou indo até
a janela e agarrou meu braço com força...
E continuou a
falar... - Nós nunca usamos proteção, mas com quem tive que dividir a cama pra
ter o meu sustento, eu sempre usei... E ponto final...
Vi a raiva queimando
nos olhos dele...
Passei a não pelos
cabelos olhando nos olhos dele...
- Para de ser água
dura (teimoso) meu Preto...
Fica na pluma descansado...
Eu... Eu estou limpa.... Sempre fiz exames periódicos, eu... Eu estou limpa...
Fiz uma pausa
esperando ele me responder ou ter uma ação qualquer em relação a nós...
Como ele não falou nada, comecei a caminhar até o meu armário sem olhar pra ele...
Ficou parado em frente à janela...
Enquanto pegava uma bata de linho e a calça branca, que eu tinha prometido dar a ele de presente, para ser usada na Lavagem do Bonfim na Colina Sagrada, guardei todo este tempo esperando o dia da sua volta...
Quando me virei...
Ele já estava atrás de mim... Agarrou meu braço, me roubando um
beijo...
- Não é isto que eu
quero, eu quero que acredite no meu amor por você...
Seus olhos se
suavizaram...
- Eu sinto muito, eu
devia acreditar mais em você e deixar de ser tão idiota...
Me puxou para seus
braços, fazendo cócegas na minha orelha com sua barba, beijou meus lábios antes
de me puxar pela mão de volta ao seu corpo quente...
- Você está bem?
- Sim, estou amor...
- Você deve comer
alguma coisa, pelo que te conheço, passou o dia sem comer nada... Ou se
preferir poderemos comer fora... Ele sorriu... Dizendo...
- Decide
você...
- Bom, vou fazer
alguma coisa rápida pra você...
Fui para um canto no
quarto, e ele me acompanhou, onde eu improviso uma cozinha, peguei uns
ovos, era o que eu tinha para fazer uma omelete com queijo, quebrando um ovo na
tigela e ele me xingou...
Quando um pedaço de
casca caiu dentro do seu copo, eu ri e ele também, mas com casca de ovo e tudo,
tomou um belo gole...
- Sabe que ficou com
mais sabor esta cachacinha?
Inclinou para mim,
sua excitação pressionava minha bunda...
- Olha neguinho, não
distraia sua mulher neste instante com a faca nas mãos...
Eu ri muito, gosto
quando ela arrasta no sotaque.
Aí brinquei...
- Minha bichinha...
Tu és a rede pro meu descanso...
- O meu doce de
cocada... Branca...
- Vixe aé... Sou tudo
isto... Sou... Meu neguinho pintoso...
- Então saibas que tu
és... Meu abará com muita pimenta bem quentinha...
- Meu... Vatapá do meu Acarajé... O camarão bem temperadinho...
- O meu azeite delicioso...
- E agora... Não vai
ficar nesta lenga, lenga vai...
- Vou plantá em você,
pra você me provar de novo... Neguinha...
- Venha Preto
venha... Pica a porra em mim, bem gostoso... Biriba nela mô...
Preto se aninhou em
meu pescoço.
Eu me virei, tracei os dedos ao longo do cós da sua calça acariciando com meus dedos, com especial atenção na trilha de cabelos que seguiam abaixo da cintura...
Ele gemeu, passou os
braços em volta do meu corpo prendendo-me entre ele e o balcão.
Deslizou as mãos até
minhas coxas e levantou minha bata para expor a minha bunda nua.
Alisou, depois deu um
tapa de leve...
Eu pulei de surpresa
e gritei... - Que gostoso meu Preto...
Empurrou seus quadris
em mim, e então me colocou em cima do balcão...
- Você é
linda Naliana...
Segurou meus quadris
com força e me beijou profundamente, passei meus dedos em seu cabelo e puxei...
Quando um gemido
escapou de sua garganta, ele apertou os lábios mais duramente nos meus, abrindo
minhas pernas, eu obedeci esfregando minhas coxas nele com antecipação...
- Você é tão
doce Naliana...
Dizendo isto, ele
mergulhou os dedos deslizando para baixo, no centro e pressionou dois dedos em
mim...
Tirou os dedos do meu
corpo e levou lentamente os dedos molhados com a minha excitação ao longo do
meu lábio inferior.
Eu abri minha boca e chupei o meu gosto em sua pele... Imediatamente provocou uma nova onda de excitação em mim...
O sexo antes dele
tinha sido bom... Mas sexo com ele era alucinante!!!
Afastou-se de mim,
pude ouvi o zíper da calça dele deslizar para baixo, e em seguida ele entrou em
mim.
A sensação de
saciedade instantânea foi esmagadora e eu gemi de prazer...
Preto... -
Sou sua, sua, toda sua...
Numa ereção furiosa
me bombeou com carinho.
Dava para ouvir ele se movendo na minha carne cremosa, encharcada pelo desejo...
Depois foi com mais força, mais força, eu gemia gostoso e queria mais, levantei a pélvis contra sua rigidez, para aumentar a pressão, até me fazer gozar, e ele continuou, dentro de mim; gozei loucamente por várias vezes...
Ele cheirou o perfume
único que cresceu fora da minha pele, aí ele gozou...
Agarrei sua boca silenciando os seus gemidos, suando quase sem respiração, foi diminuindo o ritmo lentamente, saindo de mim...
Me abraçou forte em
seu peito, apoiei meu corpo no dele, coloquei minha cabeça em seu ombro e
suspirei profundamente...
Desceu meu corpo do
balcão, roçando no dele, suavemente... Estava com as pernas bambas...
Minhas veias zumbiram
com o prazer que eu tinha recebido...
Quando ele me segurou e acariciou meu cabelo com a palma da mão, me beijou, e o calor do beijo me queimou, indo o calor direto para o núcleo...
- Vou me refrescar...
Meu Preto gostoso da porra...
O banho me fez reanimar...
Enrolei-me na toalha em frente ao espelho...
Aí me curvei à
vaidade...
Meus olhos castanhos brilhavam, e o brilho deles voltavam pra mim.
Eu me sentia mais viva, sempre que ele me amava...
Meu cabelo longo e escuro caía molhado pelas minhas costas, meus lábios estavam inchados com os beijos dele, a pele do meu rosto ainda estava corada pelo contato com a barba serrada...
Saí do banheiro,
ainda envolta na toalha, ele passa por mim dando um apertão e um belo tapa, na
minha bunda...
Ele saiu em direção
ao banheiro, na certa ia se refrescar também...
Segurei-o pelo
braço... - Você me faz mulher...
Seu olhar se perde em
pensamentos...
Obriguei-o a olhar
para mim, nos meus olhos...
- Olha Preto, o que
eu sinto por você é tão profundo que mal posso respirar...
- Quando estamos juntos você tira meu fôlego e quando estamos separados, eu me sinto perdida...
- O que posso dizer
para você acreditar em mim?
O ardente olhar dele
me paralisou...
- Case comigo, larga
esta porra de vida que você leva... Volte para o Rio comigo... Vamos para a
cama toda noite, acorde comigo todas as manhãs, para o resto da vida...
O ar deixou meus
pulmões, sem respirar por uns segundos esperei a reação dele, e o que mais ele
tinha pra falar...
- Sei que nós não
somos bons um para o outro, realmente não somos, mas poderemos ser...
- Porra... Somos tão
fudidos juntos, porque então acontece que em um minuto estamos assim cheios de
amor, e no próximo minuto, já estamos na pior...
Eu continuava quase
sem respiração, mordendo os lábios inferiores...
- Bons momentos fazem
valer à pena os difíceis não? É assim que somos, eu e você...
Apesar de tudo que
ele disse, senti um pequeno aceno de adeus na cabeça dele...
- Vale à pena sim
amor... A maneira que você se sente quando estamos juntos amor, é como eu
também me sinto, não pode ser mentira...
- É amor... Porra...
- Eu vou pra onde
você quiser me levar... Fala alguma coisa...
- Eu.. Vou tomar um
banho...
Virei de costas pra
ele, como manobra, puxei a toalha mais para baixo, deixando boa parte dos meus
seios a vista, e me virei para ele...
Ele deu um largo sorriso, beijou meus seios, me deu um abraço bem apertado.
Eu te amo...
- Eu também te amo
Preto...
Joguei-me em cima da
cama enrolando-me com um travesseiro, a minha mente estava cambaleando, eu
queria bloquear na minha mente, a minha história de vida, e poder dormir ao
lado dele, acordar pela manhã, com uma nova perspectiva de vida e de
esperança...
Preto saiu do banho
com os cabelos selvagens, tinha nos olhos um olhar frenético...
Eu levantei da
cama... - O que há de errado amor...?
-
Nada... Neguinha...
Me fez sentar
novamente, caindo de joelhos no meio das minhas pernas a beira da cama...
Agarrou meus quadris
com as mãos, deitou suavemente sua cabeça no meu colo, enfiei meus dedos pelo
cabelo dele...
Senti sua respiração
lenta no meu colo, passei a mão pelo pescoço dele, pela parte de cima das
costas e circulei meus dedos em cima dos seus músculos.
Sentia que ele iria
se picar, me deixar a qualquer momento...
Tomada por uma emoção
quase que descontrolada falei:
- Meus lençóis ficam
vazios sem você Preto, de verdade viu?
- O motivo é o grande
amor e o desejo que me tomam por completo...
- Por eu te amar
tanto...
- Quero e preciso
sentir seus batimentos cardíacos após te amar...
- Eles me ajudam a viver, você ressonando ao meu lado acalma a minha alma...
- Sei que você fica
aborrecido, eu estou mudando de vida agora para ficar só com você...
- Mas, por favor, não
vá embora não... Não corra de mim Preto...
- Eu te amo mais do
que possa imaginar...
Ela é meu vício, eu
não posso ficar longe dela...
Juntos eu sei que
vamos explorar os prazeres e os demônios que nos ameaçam...
Mas... O processo de
alterar a memória é de fato complicado.
A mente é uma rede complexa, e a memória é importante, mas é muito duro retirar dela as lembranças erradas do passado.
Mas as lembranças podem ser suavizadas ou encurtadas, eu estava ali para poder enfeitar o passado e tornar o presente diferente...
Levantei apoiado na
parede, e suspirei pesadamente.
Com certeza tínhamos aprendido
a nadar entre espinhos no mar de rosas.
Não havia mais nada a
fazer a não ser viver este amor...
Com uma dose de
dignidade suficiente tomaram esta decisão...
Saíram porta a fora
em direção ao Hotel na praia do Farol da Barra, onde ele estava hospedado.
Participou do
Congresso, e no dia seguinte...
Embarcaram para o Rio
de Janeiro, com um único propósito...
O de não se separarem
nunca mais...
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Capitulo final
A partida...
Nos dias
atuais... Rio de Janeiro...
Fiquei observando sentada na cama
o Aldo arrumando a mala, ele tinha que voltar pra São Paulo, para resolver
alguns assuntos pendentes.
Quando o zíper da mala enroscou,
e ele disse "é foda" com aqueles lábios carnudos, me deu muito
tesão...
Deitei de bruços na cama olhando
meu homem com muito amor.
Ele é muito bonito, seus cílios
longos, seu rosto parece que foi esculpido e, ainda por cima, o charme dos seus
cabelos grisalhos.
Mesmo na nossa idade, não posso
deixar ele solto por aí...
Ainda é um pacote totalmente
letal...
- Você me ama mesmo Aldo? Estou
com uma vontade de te pedir uma coisa...
Ele sorriu dizendo...
- Eu te amo tanto que chega a ser
assustador, meu amor é insano, selvagem, sem regras, sem final...
- Meu homem... Sempre te
amarei...
Ninguém mais poderá me fazer sentir desse jeito.
- Nossa Ana... Novamente
aconteceu...
- O que aconteceu mô...???
- Esta cena, que sensação mágica,
amor...
- Consegui prever cada frame
desta cena, como se estivesse vendo um filme que eu já tinha assistido...
Você deitada na cama, com todos
os detalhes a sua volta, me olhando com este sorriso dengoso...
- Nossa... Você está tendo um
Déjà vu... Pelo visto amor...
- Caraca... Acho isto uma
experiência mística... E como dizem os franceses... C’est fini, que pena,
acabou tão rápido como começou...
- Você lembra quando me levou
para conhecer o bairro de Gamboa, mais precisamente a Pedra do Sal?
- Ao fotografar uma das cenas
escolhidas, tive a mesma sensação de já ter estado ali, você brincou dizendo...
- Xiiii... Será que já estivemos
aqui em outras vidas? Começamos a inventar histórias que poderiam ter
acontecido com a gente, rimos muito...
- Aconteceu também em Salvador,
quando eu estive lá no começo do ano...
Não quis descer pelo Elevador
Lacerda para ir até a cidade baixa...
Dei preferência em descer no belo e nostálgico bondinho, agora restaurado do
Plano Inclinado... Sai do Centro Histórico do Pelourinho e vai morro
abaixo até a cidade baixa no Comércio.
Depois de tomar uma água de coco,
decidi voltar para fotografar no Mirante, na Praça Castro Alves...
O belo por do sol que aquela
cidade nos presenteia todos os dias no verão...
Não sei dizer o porquê, mas
decidi subir a pé pela Ladeira da Montanha...
Passando em uma das inúmeras
casas em ruínas no alto da Ladeira, tive a mesma sensação de já ter estado
ali...
Veio na minha lembrança eu saindo apressado da casa com alguém, não sei dizer
se era homem ou mulher, eu usava um paletó branco...
Ao chegar ao mirante comecei a
fotografar ainda encucado com o que tinha acabado de acontecer...
Dei um zoom-angular na câmera em direção a velha casa que fica logo abaixo,
outra vez tive a impressão que aquela imagem na lente eu também já tinha
visto...
Ufa... Quando isto acontece, eu
fico por instantes meio que perdido entre a realidade e o sonho...
- Caraca mô... Mas deve ter
uma explicação lógica para isto...
- A explicação da Ciência para
isto é falha do cérebro...
Os fatos que estão acontecendo...
Deveriam ser armazenados na memória de longo ou médio prazo, quando o correto
seria ser armazenada na memória imediata...
Por isto temos a sensação de que o fato ocorreu antes...
- Quando era criança e isto
acontecia com muita frequência comigo, a minha querida mãezinha, tirando uma
com a minha cara dizia...
Isto acontece porque ficou bonzinho, e o anjo da guarda em sonhos mostra para
você coisas boas que irão acontecer com você no futuro...
Depois de um bom tempo, ela virou
espírita de mesa branca, aí a parada ficou sinistra, me dizia que o que
acontecia comigo eram visões de outras vidas...
Pra não pirar, eu mesmo resolvi assumir que meu cérebro veio com defeito de
fabricação...
Depois de rir muito da minha cara
ela falou...
- Eu... Gostaria de um dia sentir
também este digamos, repente místico... Sorri novamente fazendo caras e bocas
pra ele....
Em seguida... Levantei e fui em
direção a ele...
Pressionei meus lábios contra os
dele, passei meus braços ao redor de seu pescoço, ambos as mãos dele bloqueavam
minha cintura, ele me pegou do jeito que eu gosto.
Envolvi minhas pernas em volta
dele, enquanto beijos com toda a emoção fluíam através de nós.
Suas mãos deslizaram sob o meu
vestido, ele fez o que eu adoro, pegou minha bunda pra que pudesse me segurar,
respirou fundo me dizendo:
- Vamos lá, amor, é sério?
- Tenho que ir nesta, senão vou
acabar perdendo o vôo...
- A gente pode esperar para fazer
gostoso na semana que vem quando eu voltar...?
- Poder pode amor, mas eu queria
você outra vez...
Sorrimos safadamente nos
dirigindo para a sala, ia abrindo a porta, resolvi...
Desligar o interruptor da luz...
Queria mais uns instantes com meu homem.
Fechei os olhos, senti duas mãos
que se estenderam das sombras, me enrolando nos seus braços, e me empurrando
contra a parede.
Respondi beijando e lambendo o
pescoço dele, e ele apertando meus seios nas mãos.
Estávamos no nosso melhor
comportamento, cheios de tesão...
Levantei a parte inferior do meu
vestido, puxando-o para que ele pudesse passar as mãos sobre minha bunda
novamente... Eu... Adoro...
- Amor, amor, eu tenho que ir...
- Não, não e não... Você está
sendo um menino mau, indo embora e me deixando aqui...
Ele mordeu minha orelha e
levantou minha perna nua até a sua cintura, me agarrou sob meu joelho, me
puxando mais alto.
Estava muito perto, beijou meus
seios por cima do vestido, e notou que eu estava sem sutiã...
Brincando ele disse:
- Não use nunca mais um sutiã em
casa, gosto deles assim prontos pra mim, viu minha tesudinha?
Com um dengo no sorriso, estendi
a mão para puxar as alças do meu vestido para baixo, até que meus seios estivessem
nus...
- Porra amor, que delícia você... Abaixei para tocar levemente seus
mamilos com a minha língua.
- Hummmm, eu não posso esperar
mais nem um dia longe de você, nós temos que estar aqui sempre juntos...
- Não quero ver você partir mais,
e ponto final...
Ele apertou a boca nos meus
mamilos e me chupou, pedi pra ele deixar marcas em volta dos meus mamilos...
Adoro olhar no espelho após o
banho e ver que meu homem me sugou, me marcando como sendo dele... Não aguentei
e dei um longo suspiro seguido de um gemido.
Eu não ia ser capaz de esperar
mais, neste ritmo em que estávamos.
Estava pronto para me enterrar nela
novamente.
Desta vez ia sair caro pra
caralho eu perder o vôo... A passagem não foi de promoção...
Ela e eu somos a metade de um
mesmo todo...
Mas quer saber o que eu
fiz? Perdi o vôo...
Tudo isto passou...
Ao contrario do que imaginamos...
Ninguém sobrevive no
amor, com a doença do ciúme...
Hoje tudo o que aconteceu, nada mais é para mim, que um leve formigamento na
lembrança, um toque invisível na minha mente...
Viver e amar é possível...
Hoje vivo um verdadeiro amor, ao lado de alguém que eu espero não tenha tido
passagem nas minhas outras vidas...
........................................................................................
Fim.....
Criação da capa, direção de arte e fotografia: Alfredo Guilherme D
Revisão, Diagramação: ZaFellgas
Copyright © AGD Publicado
S.P, 2014
Apesar das coincidências com a vida real,
este e-book é uma obra de ficção...
Proibido a cópia desta obra
Nem fazer uso comercial sem a
Devida permissão do autor.


Lindo...sensível....sonho!
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