quinta-feira, 6 de março de 2014











O autor (com todo seu carisma) presenteia seus leitores com um novo livro, abordando um tema complexo e muito interessante, num enredo ágil, forte, direto e fascinante: o encontro de duas almas predestinadas a se encontrarem e se amarem em várias vidas...
 Em diferentes épocas...
Os personagens são fortes e envolventes, cada um com sua própria personalidade, sensualidade e malícia; que prenderão você ao texto num misto de interesse, curiosidade e encantamento...
Com toda certeza é um livro que vale a pena ler!!!
                                                                                   ZaFellgas ... escritora 
                                                                                                




Índice:


Capítulo 1 - Nos dias atuais... Rio de Janeiro...
Capítulo 2 - O início... Duas vidas... 
Capítulo 3 - Salvador, Bahia... Uma passagem de vida...
Capítulo 4 - Parte final... A partida nos dias atuais...





      
   Sonho ou realidade...

No crepúsculo entre o sono e a consciência, uma batalha se trava entre Guardiões dos Sonhos e dos Pesadelos.
Sem nenhuma explicação, temos sonhos eróticos, requintados, desejáveis e enigmáticos, ficamos perplexos ao acordar.
Somos seduzidos pela realidade, que acontece em rápidos flashes de imagens na vida real.
Quando tentamos desvendar estes segredos, ai o impensável acontece:
Estes estranhos sonhos que intoxicam a mente, são tão irresistíveis que nos rendemos a eles...
É como na paixão, onde sempre somos consumidos, de corpo e alma.

Amar é como sonhos, não é impossível...  Como também não é proibido!






 Capitulo 1

    

   

 Nos dias atuais... Rio de Janeiro...

Meu encontro com Aldo pela primeira vez, deu para perceber que ele não era apenas um rostinho bonito... 
Tive a certeza que ele era o homem da minha vida. 

Eu nunca havia sentido com tanta intensidade de verdade um caso de amor, um amor maior, com certeza até mesmo espiritual...

Eu não encontrava em mim uma explicação lógica para isto estar acontecendo comigo.

Mesmo tendo sido casada, ter tido meus namoricos na juventude, e outros relacionamentos com os quais busquei amar e ser amada...

Inesperadamente implodiu dentro de mim o amor por ele... Isto mudou minha vida e com certeza a dele também, de forma irrevogável.

Prometemos um ao outro o “para sempre”…

Tentamos fazer as nossas próprias regras, e acabamos nos rendendo completamente ao poder requintado do amor.

Mas em um momento de impulso, eu tomei uma decisão que pode ter sido um dos motivos de nossas várias separações.

Eu precisava confiar tão desesperadamente que ele me amava...
Que mesmo quando era óbvio o meu amor por ele, eu queria mantê-lo à distância para não sofrer...

O meu ciúme via nele a infidelidade, via nele uma mente que poderia estar escondendo algo, evitando e rezando para que seus pecados nunca fossem descobertos.

Nestes anos todos eu sempre estava inventando maneiras de chegar perto dele!               

Acabei descobrindo que ele é a única fonte de oxigênio para eu viver.


(Aldo)... Foi depois de um dia destes, em que porra alguma dá certo, e eu estava particularmente mal-humorado, que ela começou a me mandar mensagens pelo celular... Como quem não queria nada...

- Sinto falta dos e-mails e das mensagens informando de suas aventuras... Sorriu com aqueles montes de rsrsrs... Continuando a enviar mensagens...

Até que me revelou, e eu notei certa satisfação em me dizer que teve outro alguém...

Depois da nossa última separação, de quase um ano, quando eu também estava em um relacionamento.

Senti que ela nitidamente quis mostrar pra mim, sem arrependimentos, que ela também poderia ser feliz, e ser amada.


Imaginei, e não conseguia entender... Quebrou a cara, e agora vem de novo, encher o meu saco... Porra eu mereço!

Eu me perguntava... Como ela pode depois de realizar um antigo sonho...

Fazer uma lipo-abdominoplastia e outras micro cirurgias plásticas, deixando o seu contorno corporal mais jovem e seu rosto ainda mais bonito...
    
 E porque a Ana não me procurou?
     
         Preferiu se auto-firmar, procurando sexo e amor, com outro alguém... Segundo ela mesmo, ainda me amando...

Parecia que eu estava em meio a um foggy londrino, nublando meus pensamentos.

Só pude imaginar outro homem, sem rosto, que penetrava nas suas profundezas, seu rosto era puro êxtase e o seu corpo se contorcia em orgasmos.

Enquanto eu tentava entender, ela continuava a mandar mensagens a todo o momento, eu ali lendo...

- Sabe... Aldo... Eu na verdade tive esta relação pensando ter encontrado uma maneira de domar o meu ciúme, e o meu amor machucado, e desprezado por você... 

(Aldo)... Me senti fora do jogo... 

Mas não consumido por ciúmes, tive vontade de mandar ela pra puta que pariu, e pedir pra ela me deixar em paz.

Neste momento, parecia estar se confirmando uma coisa em mim, quanto ao amor que ela jurava ter por mim.

Apostei tudo, para ver se Aldo, me entregaria o controle, ou eu estaria entregando o controle, e qual seria o nosso limite... Neste jogo...

Talvez meu coração soubesse de algo, que eu só poderia saber com o passar do tempo...

Até que algo aconteceu e fez o nosso mundo girar mais uma vez...

Desta vez teria que ganhar seu coração de novo e demonstrar a ele que eu mudei e queria o seu amor, e ser tão somente amada...

Determinada a resolver finalmente a nossa vida... Convidei-o pra vir ao meu apartamento... Mas algo estava no nosso caminho...

Não demorou muito... Comecei a falar, falar...

E o que era para ser a princípio uma conversa amigável, acabou virando merda...

Deixei minha mente infestada de caraminholas do passado agir...

Aí... Aconteceu...

Eu tento chutar, e ele me pega de jeito, tento arranhar, mas minhas mãos estão fortemente seguras, ele fala no meu ouvido:

(Aldo)... - Para porra, com esta histeria...  Cacete...  Faça o que quiser, mas hoje vou passar a noite aqui, e vamos resolver esta merda toda de uma vez por todas... Porra...

 Cheguei ao quarto nem sei como, ele chuta a porta pra fechar, me largando em cima da cama.

Ainda em pé começa a tirar a camiseta deixando a vista cada detalhe, cada centímetro de sua linda pele negra...

Uma nova crise momentânea de ciúmes toma conta de mim...

Puta que o pariu... Só de pensar que outras mulheres tocaram, beijaram, lamberam este homem, me sinto insegura frágil, com ódio...
    
E ao mesmo tempo, um louco desejo toma conta de mim... 

Mas...

Quando ele tenta me despir... Tenho uma reação inesperada. 

- Seu idiota, não me toque... Seu. . . . Seu. . .  
    
Não consegui xingar, pois o que eu mais queria naquele momento era ser amada...

Olhei fixamente nos olhos dele, que merda, ele me paralisa com o olhar...

Me diz apertando meu rosto em suas mãos.

(Aldo)... - Hey... Para com isto, Ana... Assim não vamos nos entender...
    
- Eu te amo... 
    
Em seguida me recolhe com todo o carinho em seu colo...

Eu não esperava essa gentileza...

Queria ainda mais bate boca entre nós para desabafar tudo que eu estava sentindo, mas ele me desarma, com este gesto...

Choro em seus braços, enquanto ele me abraça com força, em um arrependimento visível.

Sua boca toca sutilmente a parte de trás da minha orelha, sua voz suave mas firme, repete por várias vezes...

(Aldo)... - Você é a mulher da minha vida, eu te amo...

(Ana...) Com a voz embargada entre soluços de um choro incontrolável, eu disse...

- Também te amo, me ajuda a lidar com este meu ciúme, por favor, amor...

Eu me sinto sozinha sem você ao meu lado, na minha cabeça eu me sinto traída, enganada, usada...

Ele toca minha boca com sua mão, me impedindo de prosseguir falando...

- Que merda. . . . Eu também me sinto... Descartado, inútil, morto, humilhado...

(Ana...) - Me perdoa amor. . . Me perdoa. . .

Choro magoada porque você não imagina, mas teve dias em que eu te detestava mais do que te amava... 

Deixei tudo, enfrentei minha família por você...

Neste momento esforçava para me manter fisicamente inteira, enquanto ele  me possuía fisicamente com seus braços, sustentando o meu corpo junto ao dele.

(Ana...) - Desde que te conheci tudo o que eu queira era ser sua, você me dizia que era todo meu... Meu... Meu de verdade...

Sinto ele suspirar e gemer baixinho...

Minha lágrima se mantém, quando eu olhei em seus olhos, noto que eles enxergavam através de mim.

Aproveitei para falar o que eu sentia no fundo do meu coração.

- Devia ter sido eu em todas as vezes que fizeste amor...

Devia ter sido só você todas as vezes que eu me senti só...

As palavras são tão doloridas de se falar tanto quanto de se ouvir, eu paro, minhas lágrimas não me deixam continuar...

Percebo-o me despindo como ele sempre faz.

A sua pele quente contra a minha me faz sonhar em seus braços.

Me enrosco, me enrolo mais e mais no seu corpo, neste momento somos o objeto da mágoa, e o consolo um do outro.

Ele me puxa para mais perto, ouço um suspiro, enquanto deixo escapar outro mais profundo.

Sei que ele não iria me ter antes que eu recuperasse a consciência deste momento...  

E com isto acho que dormi chorando em seu colo, e quando acordo lá pelas tantas da madrugada, minha cabeça dói meus olhos também, estou nua...

Antes de ele ter qualquer reação eu o cheiro ferozmente, seu cheiro é inebriante, e peço pra ele me amar... 

Ele escorrega seu corpo na direção do meu, já dentro de mim, pulsando forte, me sinto consumida...

Esquecendo a mágoa, a raiva e o auto-ódio, que eu adquiri infelizmente.

Não queria me sentir uma merda no dia seguinte, pelo que aconteceu...

Quando acordei pela manhã, não vi em seu rosto nenhuma expressão de conflito.

Seus olhos percorriam o meu perfil, como se quisesse me ter com mais intensidade...

Simplesmente fiquei com medo de que ele tivesse sido só gentil comigo durante a noite passada, onde eu chorei como uma alucinada em seus braços.
Se este foi o motivo ia me quebrar toda novamente...

Pedi novamente para ser amada.

Mas ele diz com os lábios a centímetros do meu...

- Te amo... Te amo...Te quero agora...

 Olhando em seus olhos quase que meio paralisada ainda, fiquei esperando pelas  minhas endorfinas aumentarem...

Mas meu corpo não reage nos braços dele, pois não são minhas as emoções, são nossas...

Deixo-me ser levada. . .

Sua mão bagunça adoravelmente o meu cabelo...

Coloco minha língua dentro da sua boca sugando a dele, meu coração acelera ao sentir o caralho delicioso do meu homem dentro de mim novamente...

Neste momento o ar esquenta entre nós, como se fosse fazer os nossos corpos entrar em combustão.

Estremeço da cabeça aos pés ao sentir o jorro quente de prazer dentro de mim, em um gozo que tirou todo o nosso fôlego, fodidamente e deliciosamente fora de controle...

Vamos para o chuveiro nos refrescar, mordo o seu lábio inferior ao sentir que ele quer esquentar um pouco a água, eu gosto de banho gelado...

Ainda estou trêmula, sinto escorrer pelas minhas coxas, o calor do líquido ardente do meu homem.

Ele me protege com seus ombros largos da água não tão fria, sinto seu polegar deslizar até o meu queixo e puxando suavemente meu lábio inferior ele diz. . .

– Você é toda minha...

Com o sabonete ele começa a ensaboar o meu corpo nu... 

Como se fosse a primeira vez a sua mão entre as minhas pernas, enquanto seus dedos me tocam, ensaboado meus seios...

Esfregando o sabonete nos meus mamilos, sinto sua outra mão quente e forte esfregando a minha boceta...

Eu já quase sem conseguir respirar direito, com água deslizando até meu queixo, enquanto ele agarra a minha bunda.

Sinto a sua ereção cutucar minha barriga, ele facilita a vontade que eu estava de sugá-lo...

Segurando na minha cabeça, levemente empurrando na direção do seu sexo, isto me fez ficar de joelhos, como se estivesse em adoração ao meu homem, comecei a beijar e sugar loucamente...

Quando meus olhos se movem para cima para encontrar os dele...

Noto o  aumento da testosterona que corre no corpo dele...

Meu sexo se contrair, com ele pressionado a minha cabeça com as mãos, minha testa bater acelerada na sua barriga.

Ele gemeu nesta fusão de carne feminina contra o calor duro masculino, entrando e saindo deliciosamente na minha boca.

Eu não conseguia pensar em nada a não ser ficar cada vez mais louca de desejo...

Sentindo ele pulsar e crescendo cada vez mais, eu pude sugar, até as últimas doces gotas almiscaradas de seu sêmen derramado na minha língua...

Levantei, sem fôlego, louca, quase sem respirar direito...

Ele me encostou contra o frio azulejo, um arrepio percorreu meu corpo.

Ele gira em torno de mim ensaboando e massageando a carne da minha bunda, este toque é familiar.
Sem perceber solto um gemido quando eu o sinto faminto me desejando na mais louca emoção...

Nossos olhos se fixam carentes, desesperados, famintos...
Meu coração bate cada vez mais forte, aperto meus dedos nas suas costas unhando praticamente, esmagando a boca dele na minha, suspiramos juntos quase em um gozo.

Eu procuro sua boca neste momento, gosto de tocar sua língua, sentindo ela foder a minha.

Esta proximidade da carne me anima, me sinto segura, presa a ele como se nada pudesse me puxar pra longe dele.

Continuo beijando enquanto ele desliga o chuveiro.

Enrola a toalha em mim, e eu continuo grudada a ele, mordiscando com beijos o seu corpo...

Me leva mansamente de volta para o quarto, esfrega suavemente a toalha no meu corpo, deslizando pelos meus cabelos espetados.

Carinhosamente ele me deita debaixo do edredom, eu já estava rangendo os dentes de frio (as minhas vias aéreas se contraem com o frio).

Mas seu corpo quente me esquenta, quando eu noto novamente a sua grande ereção, e advirto. . .

- Querido.... Você está me deixando sem fôlego...

- É mesmo? Então me diz quando seu fôlego acabar, mas até lá, vou te amar novamente, minha delícia de mulher...

Nossos lábios se encontram novamente, uma nova onda de calor se espalha pelo meu corpo.

Ele me vira docemente na cama, beijando e lambendo minhas costas, e por trás abre minhas pernas, minhas pregas crescem abafadas de prazer...

Sussurro me agarrando ao travesseiro, dispara em mim uma onda de prazer incontrolável...

Seus dedos tocam a minha fenda, ele morde as minhas costas, estou encharcada, meus gemidos de prazer ecoam pelo quarto.

Enquanto sou tomada de uma forma que eu nunca imaginei que seria. . .

Sentir meu homem em mim assim desta forma, me deixou totalmente excitada...

Enquanto ele massageava meu clitóris, meu corpo liberava o prazer de senti-lo colado na minha bunda...

Entrando em mim gradualmente, e me fazendo gemer em um misto de dor e prazer...

Delícia sentir ele dentro de mim desta forma, me fazendo ter prazer como eu nunca tinha tido em toda minha vida... 

Os meus limites foram além do que imaginaria ir, ele tem esse efeito avassalador sobre mim...





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Capitulo 2





          O início... Duas vidas...

Gamboa...


Reclinado sobre uma suave colina... Próximo ao mar...

Ele foi um arrabalde aprazível e pitoresco, escolhido pela aristocracia e pelos endinheirados do Rio de Janeiro como local para suas chácaras e palacetes.

Bairro favorito dos grandes negocistas ingleses na época do Império do Brasil. 

A proximidade com o Centro e com o porto era um fator de comodidade, portanto valorizado o bairro, foi o local escolhido para receber o Cemitério dos Ingleses, uma das mais antigas necrópoles do Brasil.

    

Marcado também pelo lado vergonhoso da nossa história...

O Cemitério dos Pretos Novos, descoberto por escavações, nos mostrou depois de muitos anos o tratamento indigno dado aos restos mortais dos povos africanos, o Lago do Depósito era área de venda de escravos. 


Depois da campanha militar da Guerra de Canudos, em 1897, a Gamboa recebeu os contingentes de soldados que foram lutar na Bahia.


Nas encostas do Morro da Providência, nasceu a primeira favela de que se tem notícia. O nome "favela" provinha de um morro da Bahia, que era muito semelhante ao Morro da Providência.


Nasceu oficialmente como bairro, por meio de um Decreto Municipal, tendo sido oriundo do bairro da Saúde, com o intuito de aumentar o desenvolvimento sócio-econômico da Zona Portuária.


Dizem com toda certeza que lá é o Berço do Samba Carioca...


Teve forte influência da Cultura Negra da Bahia, na sua história.


Estivadores se reuniam no local para cantar e dançar na Pedra do Sal, com suas escadas feitas na rocha pelos escravos, que tinham que subir a rocha com pesadas sacas de sal nas costas.

    

Surgiram no local os primeiros Ranchos Carnavalescos, Afoxés e Rodas de Samba, num ritmo contagiante de mistura de costumes da época... 

   

A palavra "Gamboa" quer dizer remanso dos leitos dos rios, quando se tem a impressão de ser um lago.


Assemelha-se ao aspecto físico do bairro, que se localiza numa zona de águas mais calmas da Baía de Guanabara.


E neste ambiente festivo nasceu...


  O Negro de Gamboa...

  Na subida da ladeira na casa cinco...

  O nome não importa,

  Vamos preservar o essencial.

  A sua história.

  Vamos deixar assim...


Recebeu este apelido, pela sua aparência calma.


Com formação acadêmica, isto fez dele um poeta, flautista e músico de mão cheia.


Dizia que o chorinho, Sonhos... Composição do Mestre Alfredo, o famoso músico e compositor Pixinguinha, era a composição que ele gostaria de ter composto...


Até quando jogava capoeira, era manso...


Mas não deixava de ser preciso nos seus golpes.


Portando a sua inseparável navalha em uma das mãos, nos confrontos com os inimigos, ou com a milícia.


Que perseguia quem fizesse uma roda de samba, ou de capoeira.


A sua alegria, poderia sempre ser vista nas Rodas de Samba da Tia Ciata...


Negro era um prosador nato, bom de lábia, farto em tiradas, dotado de um humor ferino, cáustico.


A cama ele transformava em um palco, para as mulheres...


Onde ele era o protagonista, e elas, o espetáculo!


Os temas iam até onde o imaginário podia chegar.


Não bastasse isso, ainda gozava de uma autocrítica impagável, gostava de fazer vozes e imitar personagens reais ou imaginários. 

Causando risadas, às vezes, gargalhadas.


Sua irreverência e ironia já estavam estampadas no seu rosto...


            Isto ficou evidente no dia em que ele foi barrado, em um certo time que nasceu no bairro de Flamengo, indo com o passar dos anos para a Laranjeiras.


Achando que o motivo de ser barrado para jogar na agremiação seria por ele ser negro, apesar do bom futebol que ele jogava, não deixou barato, tirou o calção no meio do campo, mostrou o tamanho do seu... (Futebol), para o técnico, está sua atitude acabou por humilhar vários jogadores a sua volta...



Mas nada mexeu tanto com ele...


Do que quando conheceu a mulher por quem se apaixonou...


Este amor foi cantado nos versos do samba de Araújo Monteiro, amigo e companheiro do Negro, nas noitadas pelas ruas e becos do bairro, e no boêmio bairro da Lapa... 


Ah!...

De repente o amor tomou conta de mim.

Com você...

Sorrindo para mim...



Parecia ser mais um caso de simples execução de sentimentos.


Entre um homem e uma mulher...


O amor... 


Não é diferente quanto à autenticidade nos sentimentos.


Não importa a cor da pele...


O que importa é a forma de como esse sentimento passa a ser vivido...


Filha de alemães...


Que fugiram dos horrores da primeira Grande Guerra Mundial, mais conhecida como A Guerra das Guerras...


Ela não era loura e nem ruiva.


Dez, ou doze anos mais velha que ele.


Seu corpo rosado brilhava, e dele exalava um odor envolvente...


Depois de uma noite inteira na cama com ela...


Acordava sempre com uma leve dor de cabeça, por causa daquele odor...


Apesar disso, era para mim como amanhecer no paraíso...

  

( Negro...) A tarde caía gostosamente quando eu...


Desci do bonde 104 no Largo do Machado, o bonde era o mesmo, que num dia de muita felicidade, eu conheci a minha estrela disponível... O meu grande amor Dalva.


Estava vindo lá dos lados do Jardim Botânico, ali perto aconteceu o início do nosso romance...

      

Era no Café Metrópole, que ficávamos sempre sentados na mesa do lado de fora...


Saboreando o habitual expresso duplo para mim, pra ela sempre um sofisticado cappuccino com complementos pseudo-italianos.


Naquele dia... 


Lá estava eu no mesmo lugar, e na mesma mesa...


Recordando o nosso primeiro encontro... 


Recordo-me que era uma tarde cinzenta fora dos padrões desta cidade onde o sol faz morada...


Eu acendi um cigarro, ela não manifestou objeção, apesar de não fumar.


- E então, ficou satisfeito por me conhecer?... Perguntou ela.


- Sem dúvida... Confirmei.


- O que planeja fazer agora? Me ter na sua vida... 


- Provavelmente... Sorri dizendo...

  

Percebi que ela não tinha meias palavras, falava na lata mesmo.


(Dalva...) - Quem me dera ter um homem como você na minha vida...


- Você mexeu comigo desde o primeiro momento que meus olhos te encontraram, sentado no bonde lendo e cantarolando as suas partituras musicais...


- Confesso que meu coração disparou quando nos olhamos, e um sorriso apareceu no seu rosto...


Ela tinha olhos verdes, e o cabelo ruivo escuro, estava preso em um coque, usava  uma franja fina sobre sua testa... Infelizmente, falava mais que matraca de semana santa, mas eu estava disposto a escutar...


- Sou professora... Eu gostaria de fazer um doutorado, mas acho que não estou pronta, talvez dê aulas de alemão em algum lugar.


- Várias pessoas me pediram.


- E se eu te pedir para me ensinar a amar na sua língua?   Perguntei.


- Sim, ensinaria com todo o prazer...  Respondeu...


- E, você me ensinaria a amar na sua língua?


- Perguntou ela, dando um sorriso tímido e maroto.


- Na minha língua, no meu corpo, na minha alma...


- Acho que você é boa nisso.


- Acha mesmo? - Sou apaixonada pela sua cor, gostaria de ter ela e não ser como eu sou, branca como leite, passo mal quando vou a praia com o sol, sabia?


(Preto...) - A sua cor rosada, é bonita de se ver tocar e beijar querida...


(Ana...) - É gentileza sua dizer isso.


(Preto...)  Tomei um gole de café, estava quente, forte e doce, tinha colocado quatro cubos de açúcar e misturado bastante para apagar o amargor original.


(Ana...) - Acho você lindo, um homem desejável... Acrescentou ela.


No mesmo instante ela baixou os olhos, quase batendo os cílios na borda da xícara  do café, pelo jeito ela não tinha certeza se havia dito isto mesmo...

    

Ou tinha imaginado que falou.


Rapidamente me perguntou:


- Você tem uma paixão intensa, pela música... 


- Acho que sim, e pela literatura também...


Ela olhou para frente com um olhar vago... 


Eu reparei que o pescoço dela estava vermelho até o decote...


Outro detalhe, o seu sutiã branco, exibia a parte superior macia e lustrosa dos seios espremidos.


Em uma blusa branca, presa na cintura, que enfatizavam sua opulência.


O sinal foi inconfundível, neste momento.


O propósito deste encontro não era exatamente permanecer aqui no... Café...


Era óbvio.


Prendi a respiração por um instante, enquanto avaliava a situação...    


Nossa, ela era muito atraente...


Um pensamento passageiro veio em minha mente...


Na época da minha adolescência tive mulheres mais novas e mais velhas.


Na minha percepção, isto  representou um fosso direcional...


Desde então, desfrutei de muitas mulheres...


Em uma busca incansável de formular uma geografia do prazer... 


Será que este era o momento de formular a geografia certa?


Por que não tentar?


(Preto...)  Passei a mão lentamente pela textura de madeira da mesa


Encostei as pontas dos meus dedos nos dela.


Senti um choque de desejo que percorreu meu corpo...


Suas unhas longas e afiadas pintadas de vermelho, dois anéis pesados, um deles com um pequeno diamante.


Ela olhou para a própria mão e respondeu uma pergunta não formulada...


- Estou noiva há um ano, ele está na Alemanha... Me visita uma vez por ano... 


- Caso você queira saber... Não sei mais se é pra valer este noivado.


Gostava da forma que ela modulava as palavras com seu sotaque alemão.


Respondi, rápido... - Entendo...


E pensei mais rápido ainda.... Foda-se o noivo dela...


As palmas das mãos dela estavam surpreendentemente quentes quando eu toquei.


- Você só vai responder isto? 


Perguntou ela com um ar de quem já estava querendo o óbvio...


- Não... Eu disse... E sem mais delongas...


Uma hora depois, já estávamos no quarto de Hotel ali mesmo no centro da cidade, ouvindo pela janela aberta o rumor das pessoas que passavam na calçada conversando alto.


(Ana...) O poder de sedução dele falou mais alto, queria sentir seu beijo quente e ele beijou com força meus lábios...


O hálito dele era uma mistura de cigarro, café, desejo e calor subindo do estômago... Eu estava amando sentir o seu gosto... Tudo neste homem me seduzia.


Sua respiração parou quando minhas mãos alcançaram seu rosto, recebendo o toque dos meus carinhos..

O peito dele pressionou contra o meu, espremendo as pontas duras dos meus seios, revelando toda a minha excitação...


A respiração dele aqueceu a pele do meu pescoço. 


E quando ele passou delicadamente a língua pela minha orelha esquerda, mordiscando o lóbulo e lambendo por dentro, causou em mim um efeito imediato.


Fiquei tensa de prazer na expectativa... Fechei os olhos...


Já estava lambuzada, em vias de gozar só com estes entremeios que ele estava me proporcionando.


Ele começou abrindo os botões da minha blusa, eu prendi a respiração...


Botão após botão, libertou a maciez da minha pele...


Senti sua respiração aumentar...


A cada passo a blusa ia se abrindo e caía para o lado, dando toda a liberdade para ele...


Havia alguma coisa de especial em Dalva... 


Ao sentir sua forte respiração movendo seus seios, na minha direção...


Fiquei alucinado... 


Eram morros íngremes, em que eu poderia escalar de todas as formas.


Nunca tinha tido em circunstâncias sexuais normais, o prazer de ter exemplos tão expansivos de opulência. 


Dalva era uma mulher grande, com personalidade e exuberância natural em cada curva do seu corpo.


Com as mãos trêmulas ela desceu o zíper da minha calça, agora mais apertada, dei um passo para trás, para ela sentir sem pressa ele ser libertado, com toda a sua rigidez.


Estiquei uma das mãos na direção da Dalva, passei dois dedos pelo cabelo cor de fogo...


Encontrei uma suave resistência de dezenas de grampos que prendiam o seu delicado penteado.


Ela... Suspirou...


Comecei a extrair cada grampo em um movimento lento e deliberado...


Soltando as mechas do cabelo uma de cada vez...


Observando-as se libertarem, e caírem pelos ombros dela...


Se aninhando calmamente sobre as tiras finas do sutiã.


Era por esses momentos que valia a pena viver...


A calmaria antes da tempestade, num ritual de descobertas.


Sabendo que o ponto tinha sido alcançado, rompido, e que o sexo agora, era inevitável.


Mas eu queria mais...


Eu queria saborear cada momento.


Diminuí a velocidade até que fossem se armazenando cada lembrança em nossas células cinzentas do cérebro...


Este é o tipo de lembrança que se torna um banquete para o resto da vida.


Eram imagens completamente novas para mim e para ela...


Os seus dedos percorrendo o meu corpo, e o membro endurecido e ereto.


Eu beijando seus seios, tocando seu corpo molhado de desejos...


Imagens indo direto até o cérebro, evitando o processo dos nervos óticos.


Queria que toda esta experiência fosse armazenada de uma maneira bastante particular, e que se tornasse inesquecível, e imortal...


Respirei fundo, sentindo o leve e nada familiar aroma do óleo de cacau.


- Qual é seu perfume? Perguntei intrigado pela fragrância incomum.


- Ah, sim o meu perfume...  Disse com um sorriso sedutor... 


- Só que não é perfume, é o creme que passo na pele todos os dias de manhã, deixa meu corpo macio... Você não gostou?


- É diferente, devo admitir...


Era estranho, mas é delicioso sentir que cada mulher tinha um cheiro distinto, como se fosse uma assinatura.


Um equilíbrio sensorial delicado de aromas naturais, perfumes artificiais e óleos, doces e azedos.


Dalva abriu o sutiã...

E seus seios se libertaram, surpreendentemente altos e firmes...


Passei minha mão pelos mamilos marrons escuros e rígidos...


Ela fechou os olhos e soluçando, gemeu profundamente... 


- Dalva você é deliciosa...


Ela sorriu com um tom provocador... 


- Se você diz, então me prove toda, todinha... 


O olhar inquieto dele com um sorriso enigmático nos lábios carnudos... Me observava.


Abrindo o zíper da minha saia estampada, deixando-a cair no chão, saindo dela com um passo, ainda com os sapatos marrons de couro.


As suas coxas eram fortes.


Seu corpo alto e harmônico.


Tinha os seios imperiosos em riste.


A sua calcinha preta de cintura reta que combinava com as meias sete oitavos.


Transmitia uma certa postura dócil e agressiva, mas estava pronta para se curvar...


Diante do meu desejo.


Trocamos olhares por alguns segundos.


Desabotoei  a camisa  deixando-a cair no chão acarpetado, enquanto ela observava com atenção...


Com um sorriso cúmplice, meu olhar percorreu os lábios dela.


Ela permaneceu impassível, com os olhos nos meus, me encorajando silenciosamente a continuar me despindo.


Ela por sua vez se inclinou, tirando os sapatos...


Com um movimento rápido das pernas, enrolou as meias finas de náilon até os joelhos, depois as tirou, e quando estava prestes a tirar a calcinha...


Eu interrompi com uma das mãos o seu movimento...


- Espere – Eu disse... Ela interrompeu o movimento com respiração ofegante...


Fui para trás dela, enfiei um dedo dentro do elástico apertado da calcinha.


Pude admirar a solidez e a perfeição arredondada dos seus glúteos.


Dessa nova perspectiva admirei as pintas espalhadas aqui e ali na paisagem das costas nuas de Dalva.


Puxei a calcinha em um movimento rápido, revelando a paisagem do seu traseiro duro... 


Ela deu um passo para terminar de tirar a peça, que eu embolei na mão jogando do outro lado do quarto.


Fiquei de pé atrás dela que se apresentava completamente nua...


- Vire-se para mim Dalva... 


Ela estava com os pelos na forma singularmente arredondada.


Sua abertura claramente delineada como uma linha geométrica, mais clara o oposto de sua pele.


Estiquei um dedo em direção à virilha dela... Senti o calor que irradiava dali...


Insolentemente deslizei um dedo para dentro dela... Ela estava muito molhada.


Ela gemeu loucamente, me olhou nos olhos procurando a minha fome.


- Me fode, meu homem... Me fode toda...  Ela disse já quase implorando...


Foi maravilhoso, incomum, inesquecível, inebriante...


- Sr. Heitor... Sr...


- Oi Paulo... Parece que dei uma boa cochilada...


- Desculpe-me ter acordado o senhor assim...


- Está vindo do Largo do Machado, uma turma de foliões.


- Vamos retirar as mesas do lado de fora pra evitar bagunça, tem uma mesa disponível para o senhor lá dentro...


- Agradeço a gentileza Paulo... - Mas quer saber meu velho amigo, vou até lá me divertir um pouco...


Mesmo com os meus quase 80 anos, se ainda tivesse a Dalva aqui do meu lado, íamos cair na folia... Divertíamos muito.


De longe se ouvia o canto, as pessoas se agitam para ver...


São umas mil pessoas ou mais...


Devem ser jornaleiros, talvez engraxates, lavadeiras, cozinheiras, mulatas, e caboclas.


Em torno do surdo de barril, a base de cuícas, tamborins e pandeiros.


Que batem forte fazendo tremer a massa do povo...


Divertem-se...


Cantando alto, entre confetes e serpentina na Batalha de Confete do Largo. 


É a voz do samba que se alastra rasgado pela cidade...  


É... Carnaval...


Levantei e saí em direção ao Largo do Machado.


Já estando do outro lado da rua escutei... 


- Senhor... Senhor Heitor... Esqueceu suas partituras aqui na mesa...


Respondo sorrindo para o Paulo... - Eu pego na volta...


As tais partituras, nunca foram resgatadas...


No meio das folhas cansadas de serem manuseadas.


Tinha uma folha... Já amarelada pelo tempo...

Continha um pequeno poema... Feito com certeza para sua amada...



A vida também...

É uma imensa molecagem.

A minha estrela disponível.

Eu amei... E amarei...

Em vida, mulher alguma me fez tão feliz .


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Capitulo 3




                   
       Salvador, Bahia... Uma passagem de vida...



A boemia... 

Começa e termina no Pelourinho e tem suas ramificações na cidade baixa... 

Tem o berimbau que chama a capoeira a qualquer hora do dia.

Com aquelas esculturas negras e brancas, que fazem com os pés e as pernas, volteios que boa parte da humanidade não consegue fazer nem em pensamento.

Baiano que é baiano, fala porra a cada dez palavras, porra é tudo, menos a porra impropriamente dita em outros estados.

Frequenta os terreiros de santos da religião africana para cultuar os orixás.

Com seus bares nas esquinas, nas bocas, nas jogatinas, nos cortiços, e nos inferninhos.

As casas da Ladeira da Montanha e ao seu redor formam... “Um laço mágico de puteiros”, que funcionam como engenho bélico, frequentados por marinheiros que chegam ao porto... 



Meu destino depois de uma noite na mesa de carteado.

E de moderado bebericamento...

Era o famoso número setenta e um da Ladeira. . .

Onde eu ia buscar um acalanto nos braços de Naliana...




   

A partir do momento em que meus olhos se encontraram com os dela, mesmo na penumbra da luz vermelha da sala do inferninho na cidade baixa, senti que ela me pertencia...


Seus olhos brilharam junto com seu lindo sorriso e a sua dentição que pareciam pérolas brancas, seu corpo esguio, estava coberto por um vestido de um branco imaculado, trazia no ombro um Pano da Costa preto. (pano vindo da Costa da África).


Era impossível resistir, ela valia o que eu ainda tinha no bolso, mas isto não foi preciso, Naliana dormiu comigo, onde ela tirava o seu sustento na noite... 


Filha de bravos negros descendentes dos Malês (muçulmanos do Sudão da África).


           Apesar de serem livres, sofriam muita discriminação por serem negros e seguidores do islamismo.


           Em função destas condições, encontravam muitas dificuldades para ascender socialmente.


            Exerciam atividades livres, conhecidos como negros de ganho eram alfaiates, pequenos comerciantes de seda, artesãos e carpinteiros.


            Isto resultou na Revolta dos Malês, um movimento em que foram libertados muitos escravos; ocorreu na cidade de Salvador (província da Bahia).

 Tinham como sua principal arma a Capoeira, eram imbatíveis...

Usavam entre as vestes, uma cópia do livro sagrado do Islã, o Alcorão.

A sociedade fundada por eles era tão secreta que até nos dias de hoje,  não se tem conhecimentos dos verdadeiros lideres da revolta...



Naliana fazia morada na famosa casa de costumes de Dona Ana Saquenga... 



           Sua tia avó, por parte de mãe, viúva e bisneta de um famoso Capitão de Embarcação Negreira, que morreu na Costa Africana, em alto mar por causas desconhecidas, mas ela era bem conhecida, como cuidadora de quengas mais famosa de Salvador.


Os Capitães eram responsáveis por boa parte do sucesso das grandes fortunas baianas, com rentável comércio escravo entre a Costa da Mina e a Bahia.


A cidade de Salvador enriqueceu com estas viagens promissoras...


Este lucro se seguiu na construção de tantas igrejas e templos ricamente ornamentados com pedras preciosas, ouro e prata...


            Como resultado a nobreza e esplendor dos edifícios públicos e particulares desta cidade, fruto do tráfico transatlântico de africanos escravos.


Uma pequena parte era usada pelas igrejas para manter Senzalas Livres, escondidas nos porões das igrejas para abrigar escravos fugitivos e alforriados, uma delas foi a Igreja de Nossa Senhora do Carmo no alto do Pelourinho.


Nesta história, acabei virando... O Protetor, dela...


Com a minha navalha e jogando capoeira como eu, era difícil alguém ter a ousadia de me desafiar nesta cidade.


            Eu seguia uma antiga crença religiosa trazida de Portugal para a Colônia, por soldados portugueses que chegaram a usar em batalhas, e aqui com o tempo acabou se misturando nos cultos afros. 


              Eu passei a usar também, uma hóstia consagrada guardada em um pendente de prata no pescoço.


            Segundo a igreja católica é o próprio Corpo do Senhor Vivo...


             Na crença popular era usada nos rituais de cultura afros, para que o portador ficasse com o Corpo Fechado, contra todas as forças do mal. O roubo de hóstias nos tempos do  Brasil Colônia, resultaram até em pena de morte. 


Como poeta... 


Em alguns dos meus poemas eu citava aquela mulher que ao som dos seus balangandãs no pescoço, a sua saia branca redonda, servia quitutes com óleo de dendê e leite de coco, era a Baiana mais famosa em frente ao Mercado Modelo.

              

A mulher dos meus sonhos era idealizada assim...


            Sem limites nos meus poemas.


            Representada na expressão adverbial com intensidade... 


            Meus poemas foram versados pelas ruas do Pelourinho por poetas, e cantadores populares.


Mas um dia tive que me dividir...


A minha transferência como funcionário federal para uma porra de uma repartição no Rio de Janeiro.


    Mudou a minha vida, eu pensava que seria bom para mim, mas como se diz, quem perde a inocência ganha a culpa... Foi um puta tormento na minha vida...


Não conseguia me ver sem a Naliana, mas para meus pais foi maravilhoso me ver longe daquela vida que eu levava em Salvador.


Mesmo mantendo contato por carta eu não conseguia me libertar deste amor...


Dois anos foi o bastante, para eu não ser nem a sombra do boêmio fanfarrão de tempos atrás.


            Já estava me transformando em almofadinha, abastado, que   frequentava lugares chiques, passava às férias a beira mar na ilha de Paquetá, e no inverno subia a serra em direção a Petrópolis...


Um belo dia acompanhando minha mãe que era fervorosa devota de Nossa Senhora da Glória, na subida do Morro do Outeiro da Glória...


           O mar banhava a subida do sopé do morro, fechei os olhos e meus pensamentos se voltaram para Naliana...


A verdade é que temos de forçosamente nos habituar às perdas nesta vida.

Todos perdemos, no presente do indicativo... Amores...

E se ainda não perdemos...

No pretérito perfeito...

No futuro, poderemos perder...

Aí... Fudeu tudo...

Porque quando se trata de uma particular obsessão o desejo supera a cautela. 

     

Ao chegar em casa na Quinta da Boa Vista...


           Recebi um convite do meu Mestre Edison, o grande Bimba, mestre dos mestres de capoeira em Salvador, para participar na sua Academia, que hoje já estava recebendo alunos da classe média de Salvador, para o primeiro Congresso da Cultura Afro-Brasileira.


Foi à gota... D'Água...


Pedi licença na repartição, e dois dias depois, estava eu olhando pela pequena janela do avião a ilha de Itaparica, estava chegando ao aeródromo de Santo Amaro do Ipitanga em Salvador.


            A bordo do bi-motor Douglas DC 3 da Real Aerovias, ao chegar, descansei a mala no chão no saguão, acendi um cigarro pensando no que iria fazer voltando aqui, com a minha vida...


Os tempos estavam mudando muito rápido, principalmente na Capital Federal do Rio de Janeiro.  

   

As mulheres já estavam usando saiotes de praia mais curtos, as cavas e os decotes aumentaram, chegando até a cintura, assim como os vestidos de noite.


          O modelo de beleza continuava sendo mulher magra e bronzeada.


           E para ser sofisticada não podiam faltar sobrancelhas e pálpebras    a lápis, pó de arroz bem claro, se espelhando no modelo de beleza das atrizes norte-americanas, Greta Garbo é uma delas.


Enquanto o chofer dirigia, meus pensamentos se misturavam com a paisagem que passava rapidamente pela janela do carro. De repente olha eu aqui de novo, novamente dominado pela beleza desta cidade.


             E pelo prazer de rever meu Mestre e de ter a irresistível Naliana, novamente nos meus braços.


            Sem reservas de preconceito ou pudor que tem assombrado minhas noites...  


           Chegando ao hotel joguei a mala na cama, tomei um banho e vesti um paletó branco. Naliana gostava de me ver vestido assim, e fui para o bairro de Gamboa de Cima, o novo endereço dela.


No velho casarão entrei pelo escuro corredor, subi as escadas que ficavam no fundo até o terceiro andar; o quarto dela estava com a porta encostada.


           Bati na madeira marrom da porta, com uma estranha sensação          de resignação... Ouvi um entra, está aberta...   


Entrei... Olhei para o interior do quarto a procura dela...


          Fiquei maravilhado, sem palavras...


          Uma quantidade enorme de telas, quadros por acabar e obras já prontas, estavam espalhadas pelo quarto...


Naliana me acenou com um gesto com a cabeça, e um doce sorriso...


Fechei a porta dando uns dois passos para frente, desabotoei o paletó engolindo seco, fazendo com que meu pomo de adão aparecesse...

         

Ela começou a falar ainda sentada na cama...

           

- Meu Preto... Se veio me pedir desculpas, eu já te perdoei há muito tempo, agora se você veio dentro do amor, pra me ter novamente, saiba que eu sempre sonhei com este momento...  

     

- Seje bem vindo, a minha nova vida...


 Agora, além de quituteira, também como você sou artista plástica,  saiba que já estou começando a ter nome no círculo da arte da cidade, vendo por um bom preço as minhas obras...


           Preto, fiquei chocada com a atitude política nazi-fascista do nosso presidente.


          Na semana Preto que você partiu...


           Queimaram em frente a Escola de Marinheiro, ao lado do Mercado Modelo a primeira edição do livro do Jorge Amado, Capitães de Areia...


Porra... Eu já falei demais meu Preto...


Neste instante levantou com um raio, vindo na minha direção...

  

Tentei responder, mas ela não deixou.


Abraçou pelo pescoço e me beijou, mordeu meus lábios, sua língua mergulhou na minha boca, senti um calor que percorreu o baixo ventre dela e o meu sexo... 


           Ela gemeu com um frescor no hálito, alfinetando com uma das mãos o meu pau.


            Esmagamos em outro beijo forte, trêmulo, numa onda de sentimentos profundos de amor e compaixão.

     

Meu coração batia forte...


Ela me olhou nos olhos com um calor incandescente de desejos.


          Que aumentava a cada batimento cardíaco...


            Bambeei,  com o seu sorriso de emoção, vi nos olhos dela um brilho de malícia e diversão, e lá no fundo algo mais...

    

Como se fosse um convite, ela se afastou lentamente indo se sentar novamente na cama, seus olhos brilhavam com excitação. 

    

Por uns instantes ficamos sem palavras...


            Andei com passos calmos até uma das janelas do cômodo que ela ocupava, eram voltadas para a vista maravilhosa da Baía de Todos os Santos...


Acendi um cigarro olhando para o interior do quarto, lá estava ela.


Com a cor  bronze brilhante, sem precisar expor ao sol.


Como um veneno que tonteia.


Com seu cabelo úmido, pois acabara de sair do banho.


Seu cheiro era de prazer, seu perfume de alfazema misturada com ervas... 


Sinto em mim o cheiro da sua pele, como se tivesse entrado no meu corpo, pelos meus poros.


Sentada com a perna cruzada, com o tornozelo apoiado ao joelho...


Naliana usava uma bata de um colorido simples, e bem curta, deixando aparecer boa parte de suas coxas grossas, lisas e brilhantes; mantinha um olhar doce e penetrante... 


Seu lindo sorriso se misturava com as cores da colcha de retalhos, que contrastava com o escuro e velho assoalho de madeira. 


Ela levantou o dedo na direção de uma garrafa em cima da penteadeira, apesar de não ser mais um biriteiro, derramei a bebida no copo e voltei para a janela.


O fim de tarde estava lindo naquele momento com o sol se pondo...


Tentava desta forma, ingerindo este estimulante etílico, acalmar os meus nervos... Naliana falou...


- Preciso conversar com você.


- Acho melhor mesmo, vim para um Congresso na Academia do Mestre Bimba e desenrolar a nossa vida, nem sei se vou conseguir... 


Neste instante ela dispara em mim um olhar endurecido pela minha resposta vaga...


- Para de bestice meu Preto... Precisamos sim conversar, você vai me ouvir... ???

     

Ela levantou indo até a janela e agarrou meu braço com força...

             

E continuou a falar... - Nós nunca usamos proteção, mas com quem tive que dividir a cama pra ter o meu sustento, eu sempre usei... E ponto final...


Vi a raiva queimando nos olhos dele...


Passei a não pelos cabelos olhando nos olhos dele...


- Para de ser água dura (teimoso) meu Preto... Fica na pluma descansado...


           Eu... Eu estou limpa.... Sempre fiz exames periódicos, eu... Eu estou limpa...

           

Fiz uma pausa esperando ele me responder ou ter uma ação qualquer em relação a nós...


             Como ele não falou nada, comecei a caminhar até o meu armário sem olhar pra ele...


             Ficou parado em frente à janela...


            Enquanto pegava uma bata de linho e a calça branca, que eu tinha prometido dar a ele de presente, para ser usada na Lavagem do Bonfim na Colina Sagrada, guardei todo este tempo esperando o dia da sua volta...


Quando me virei... Ele já estava atrás de mim... Agarrou meu braço, me roubando um beijo...


- Não é isto que eu quero, eu quero que acredite no meu amor por você...


Seus olhos se suavizaram... 


- Eu sinto muito, eu devia acreditar mais em você e deixar de ser tão idiota...


Me puxou para seus braços, fazendo cócegas na minha orelha com sua barba, beijou meus lábios antes de me puxar pela mão de volta ao seu corpo quente...

   

- Você está bem? 


- Sim, estou amor...


- Você deve comer alguma coisa, pelo que te conheço, passou o dia sem comer nada... Ou se preferir poderemos comer fora... Ele sorriu... Dizendo...

          

- Decide você... 

- Bom, vou fazer alguma coisa rápida pra você... 


Fui para um canto no quarto, e ele me acompanhou, onde eu improviso uma cozinha, peguei uns ovos, era o que eu tinha para fazer uma omelete com queijo, quebrando um ovo na tigela e ele me xingou...


Quando um pedaço de casca caiu dentro do seu copo, eu ri e ele também, mas com casca de ovo e tudo, tomou um belo gole... 

           

- Sabe que ficou com mais sabor esta cachacinha?


Inclinou para mim, sua excitação pressionava minha bunda...


- Olha neguinho, não distraia sua mulher neste instante com a faca nas mãos...


Eu ri muito, gosto quando ela arrasta no sotaque.


 Aí brinquei...


- Minha bichinha... Tu és a rede pro meu descanso...

- O meu doce de cocada... Branca...

  

- Vixe aé... Sou tudo isto... Sou... Meu neguinho pintoso...

   

- Então saibas que tu és... Meu abará com muita pimenta bem quentinha...


              - Meu... Vatapá do meu Acarajé... O camarão bem temperadinho...


             - O meu azeite delicioso...

    

- E agora... Não vai ficar nesta lenga, lenga vai...

   

- Vou plantá em você, pra você me provar de novo... Neguinha...  

   

- Venha Preto venha... Pica a porra em mim, bem gostoso... Biriba nela mô...

  

Preto se aninhou em meu pescoço.


            Eu me virei, tracei os dedos ao longo do cós da sua calça acariciando com meus dedos, com especial atenção na  trilha de cabelos que seguiam abaixo da cintura...

   

Ele gemeu, passou os braços em volta do meu corpo prendendo-me entre ele e o balcão.


Deslizou as mãos até minhas coxas e levantou minha bata para expor a minha bunda nua.


Alisou, depois deu um tapa de leve... 


Eu pulei de surpresa e gritei... - Que gostoso meu Preto...


Empurrou seus quadris em mim, e então me colocou em cima do balcão...

   

- Você é linda Naliana... 


Segurou meus quadris com força e me beijou profundamente, passei meus dedos em seu cabelo e puxei...

   

Quando um gemido escapou de sua garganta, ele apertou os lábios mais duramente nos meus, abrindo minhas pernas, eu obedeci esfregando minhas coxas nele com antecipação...


- Você é tão doce Naliana...


Dizendo isto, ele mergulhou os dedos deslizando para baixo, no centro e pressionou dois dedos em mim...


Tirou os dedos do meu corpo e levou lentamente os dedos molhados com a minha excitação ao longo do meu lábio inferior.


            Eu abri minha boca e chupei o meu gosto em sua pele... Imediatamente provocou uma nova onda de excitação em mim...

       

O sexo antes dele tinha sido bom... Mas sexo com ele era alucinante!!!


Afastou-se de mim, pude ouvi o zíper da calça dele deslizar para baixo, e em seguida ele entrou em mim.


A sensação de saciedade instantânea foi esmagadora e eu gemi de prazer...


Preto... - Sou sua, sua, toda sua...


Numa ereção furiosa me bombeou com carinho.


             Dava para ouvir ele se movendo na minha carne cremosa, encharcada pelo desejo...


             Depois foi com mais força, mais força, eu gemia gostoso e queria mais, levantei a pélvis contra sua rigidez, para aumentar a pressão, até me fazer gozar, e ele continuou, dentro de mim; gozei loucamente por várias vezes...

      

Ele cheirou o perfume único que cresceu fora da minha pele, aí ele gozou...


            Agarrei sua boca silenciando os seus gemidos, suando quase sem respiração, foi diminuindo o ritmo lentamente, saindo de mim...

      

Me abraçou forte em seu peito, apoiei meu corpo no dele, coloquei minha cabeça em seu ombro e suspirei profundamente...


Desceu meu corpo do balcão, roçando no dele, suavemente... Estava com as pernas bambas...


Minhas veias zumbiram com o prazer que eu tinha recebido... 


            Quando ele me segurou e acariciou meu cabelo com a palma da mão, me beijou, e o calor do beijo me queimou, indo o calor direto para o núcleo...


- Vou me refrescar... Meu Preto gostoso da porra...


O banho me fez reanimar... 


        Enrolei-me na toalha em frente ao espelho...


Aí me curvei à vaidade...


         Meus olhos castanhos brilhavam, e o brilho deles voltavam pra mim.


          Eu me sentia mais viva, sempre que ele me amava...


           Meu cabelo longo e escuro caía molhado pelas minhas costas, meus lábios estavam inchados com os beijos dele, a pele do meu rosto ainda estava corada pelo contato com a barba serrada...


Saí do banheiro, ainda envolta na toalha, ele passa por mim dando um apertão e um belo tapa, na minha bunda...


Ele saiu em direção ao banheiro, na certa ia se refrescar também...    


Segurei-o pelo braço... - Você me faz mulher...

   

Seu olhar se perde em pensamentos...


Obriguei-o a olhar para mim, nos meus olhos...


- Olha Preto, o que eu sinto por você é tão profundo que mal posso respirar...


            - Quando estamos juntos você tira meu fôlego e quando estamos separados, eu me sinto perdida...


- O que posso dizer para você acreditar em mim?


O ardente olhar dele me paralisou...


- Case comigo, larga esta porra de vida que você leva... Volte para o Rio comigo... Vamos para a cama toda noite, acorde comigo todas as manhãs, para o resto da vida...


O ar deixou meus pulmões, sem respirar por uns segundos esperei a reação dele, e o que mais ele tinha pra falar...


- Sei que nós não somos bons um para o outro, realmente não somos, mas poderemos ser...


- Porra... Somos tão fudidos juntos, porque então acontece que em um minuto estamos assim cheios de amor, e no próximo minuto, já estamos na pior...


Eu continuava quase sem respiração, mordendo os lábios inferiores...


- Bons momentos fazem valer à pena os difíceis não? É assim que somos, eu e você...


Apesar de tudo que ele disse, senti um pequeno aceno de adeus na cabeça dele...


- Vale à pena sim amor... A maneira que você se sente quando estamos juntos amor, é como eu também me sinto, não pode ser mentira... 


- É amor... Porra... 


- Eu vou pra onde você quiser me levar... Fala alguma coisa...


- Eu.. Vou tomar um banho... 


Virei de costas pra ele, como manobra, puxei a toalha mais para baixo, deixando boa parte dos meus seios a vista, e me virei para ele... 


            Ele deu um largo sorriso, beijou meus seios, me deu um abraço bem apertado.


Eu te amo...


- Eu também te amo Preto...


Joguei-me em cima da cama enrolando-me com um travesseiro, a minha mente estava cambaleando, eu queria bloquear na minha mente, a minha história de vida, e poder dormir ao lado dele, acordar pela manhã, com uma nova perspectiva de vida e de esperança...


Preto saiu do banho com os cabelos selvagens, tinha nos olhos um olhar frenético...


Eu levantei da cama... - O que há de errado amor...?

     

- Nada... Neguinha... 


Me fez sentar novamente, caindo de joelhos no meio das minhas pernas a beira da cama...


Agarrou meus quadris com as mãos, deitou suavemente sua cabeça no meu colo, enfiei meus dedos pelo cabelo dele... 


Senti sua respiração lenta no meu colo, passei a mão pelo pescoço dele, pela parte de cima das costas e circulei meus dedos em cima dos seus músculos.


Sentia que ele iria se picar, me deixar a qualquer momento...


Tomada por uma emoção quase que descontrolada falei:


- Meus lençóis ficam vazios sem você Preto, de verdade viu? 


- O motivo é o grande amor e o desejo que me tomam por completo...

- Por eu te amar tanto... 


- Quero e preciso sentir seus batimentos cardíacos após te amar...


            - Eles me ajudam a viver, você ressonando ao meu lado acalma a minha alma...


- Sei que você fica aborrecido, eu estou mudando de vida agora para ficar só com você... 


- Mas, por favor, não vá embora não... Não corra de mim Preto...


- Eu te amo mais do que possa imaginar...


Ela é meu vício, eu não posso ficar longe dela... 


Juntos eu sei que vamos explorar os prazeres e os demônios que nos ameaçam...   


Mas... O processo de alterar a memória é de fato complicado.


            A mente é uma rede complexa, e a memória é importante, mas é muito duro retirar dela as lembranças erradas do passado.


            Mas as lembranças podem ser suavizadas ou encurtadas, eu estava ali para poder enfeitar o passado e tornar o presente diferente...

    

Levantei apoiado na parede, e suspirei pesadamente.


Com certeza tínhamos aprendido a nadar entre espinhos no mar de rosas.

Não havia mais nada a fazer a não ser viver este amor...


Com uma dose de dignidade suficiente tomaram esta decisão... 


Saíram porta a fora em direção ao Hotel na praia do Farol da Barra, onde ele estava hospedado.


Participou do Congresso, e no dia seguinte...


Embarcaram para o Rio de Janeiro, com um único propósito...


O de não se separarem nunca mais...   


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Capitulo final
   

   
        A partida...
Nos dias atuais... Rio de Janeiro...

      
Fiquei observando sentada na cama o Aldo arrumando a mala, ele tinha que voltar pra São Paulo, para resolver alguns assuntos pendentes.

Quando o zíper da mala enroscou, e ele disse "é foda" com aqueles lábios carnudos, me deu muito tesão...
     
Deitei de bruços na cama olhando meu homem com muito amor.

Ele é muito bonito, seus cílios longos, seu rosto parece que foi esculpido e, ainda por cima, o charme dos seus cabelos grisalhos.

Mesmo na nossa idade, não posso deixar ele solto por aí...

Ainda é um pacote totalmente letal...

- Você me ama mesmo Aldo? Estou com uma vontade de te pedir uma coisa...

Ele sorriu dizendo...

- Eu te amo tanto que chega a ser assustador, meu amor é insano, selvagem, sem regras, sem final...

- Meu homem... Sempre te amarei... 



Ninguém mais poderá me fazer sentir desse jeito.
  
- Nossa Ana... Novamente aconteceu...

- O que aconteceu mô...???

- Esta cena, que sensação mágica, amor... 
   
- Consegui prever cada frame desta cena, como se estivesse vendo um filme que eu já tinha assistido... 
Você deitada na cama, com todos os detalhes a sua volta, me olhando com este sorriso dengoso...

- Nossa... Você está tendo um Déjà vu... Pelo visto amor...

- Caraca... Acho isto uma experiência mística... E como dizem os franceses... C’est fini, que pena, acabou tão rápido como começou...

- Você lembra quando me levou para conhecer o bairro de Gamboa, mais precisamente a Pedra do Sal?
- Ao fotografar uma das cenas escolhidas, tive a mesma sensação de já ter estado ali, você brincou dizendo...

- Xiiii... Será que já estivemos aqui em outras vidas? Começamos a inventar histórias que poderiam ter acontecido com a gente, rimos muito...

- Aconteceu também em Salvador, quando eu estive lá no começo do ano...
    
Não quis descer pelo Elevador Lacerda para ir até a cidade baixa...



                         Dei preferência em descer no belo e nostálgico bondinho, agora restaurado do Plano Inclinado... Sai do Centro Histórico do Pelourinho e vai morro abaixo até a cidade baixa no Comércio.

Depois de tomar uma água de coco, decidi voltar para fotografar no Mirante, na Praça Castro Alves...
O belo por do sol que aquela cidade nos presenteia todos os dias no verão...

Não sei dizer o porquê, mas decidi subir a pé pela Ladeira da Montanha...

              Passando em uma das inúmeras casas em ruínas no alto da Ladeira, tive a mesma sensação de já ter estado ali...



                           Veio na minha lembrança eu saindo apressado da casa com alguém, não sei dizer se era homem ou mulher, eu usava um paletó branco... 

               Ao chegar ao mirante comecei a fotografar ainda encucado com o que tinha acabado de acontecer...



                                     Dei um zoom-angular na câmera em direção a velha casa que fica logo abaixo, outra vez tive a impressão que aquela imagem na lente eu também já tinha visto...

                              Ufa... Quando isto acontece, eu fico por instantes meio que perdido entre a realidade e o sonho...

-  Caraca mô... Mas deve ter uma explicação lógica para isto...

- A explicação da Ciência para isto é falha do cérebro...



Os fatos que estão acontecendo...



                                      Deveriam ser armazenados na memória de longo ou médio prazo, quando o correto seria ser armazenada na memória imediata... 



Por isto temos a sensação de que o fato ocorreu antes... 
      
- Quando era criança e isto acontecia com muita frequência comigo, a minha querida mãezinha, tirando uma com a minha cara dizia...



Isto acontece porque ficou bonzinho, e o anjo da guarda em sonhos mostra para você coisas boas que irão acontecer com você no futuro...

Depois de um bom tempo, ela virou espírita de mesa branca, aí a parada ficou sinistra, me dizia que o que acontecia comigo eram visões de outras vidas...



Pra não pirar, eu mesmo resolvi assumir que meu cérebro veio com defeito de fabricação...
        
Depois de rir muito da minha cara ela falou...

- Eu... Gostaria de um dia sentir também este digamos, repente místico... Sorri novamente fazendo caras e bocas pra ele....

Em seguida... Levantei e fui em direção a ele...

Pressionei meus lábios contra os dele, passei meus braços ao redor de seu pescoço, ambos as mãos dele bloqueavam minha cintura, ele me pegou do jeito que eu gosto.

Envolvi minhas pernas em volta dele, enquanto beijos com toda a emoção fluíam através de nós.
Suas mãos deslizaram sob o meu vestido, ele fez o que eu adoro, pegou minha bunda pra que pudesse me segurar, respirou fundo me dizendo:

- Vamos lá, amor, é sério?

- Tenho que ir nesta, senão vou acabar perdendo o vôo...

- A gente pode esperar para fazer gostoso na semana que vem quando eu voltar...?

- Poder pode amor, mas eu queria você outra vez...

Sorrimos safadamente nos dirigindo para a sala, ia abrindo a porta, resolvi...

Desligar o interruptor da luz... Queria mais uns instantes com meu homem.

Fechei os olhos, senti duas mãos que se estenderam das sombras, me enrolando nos seus braços, e me empurrando contra a parede.

Respondi beijando e lambendo o pescoço dele, e ele apertando meus seios nas mãos.

Estávamos no nosso melhor comportamento, cheios de tesão...

Levantei a parte inferior do meu vestido, puxando-o para que ele pudesse passar as mãos sobre minha bunda novamente... Eu... Adoro... 

- Amor, amor, eu tenho que ir...

- Não, não e não... Você está sendo um menino mau, indo embora e me deixando aqui...
   
Ele mordeu minha orelha e levantou minha perna nua até a sua cintura, me agarrou sob meu joelho, me puxando mais alto.

Estava muito perto, beijou meus seios por cima do vestido, e notou que eu estava sem sutiã...

Brincando ele disse:

- Não use nunca mais um sutiã em casa, gosto deles assim prontos pra mim, viu minha tesudinha?

Com um dengo no sorriso, estendi a mão para puxar as alças do meu vestido para baixo, até que meus seios estivessem nus...

- Porra amor, que delícia você... Abaixei para tocar levemente seus mamilos com a minha língua.

- Hummmm, eu não posso esperar mais nem um dia longe de você, nós temos que estar aqui sempre juntos...
   
- Não quero ver você partir mais, e ponto final... 

Ele apertou a boca nos meus mamilos e me chupou, pedi pra ele deixar marcas em volta dos meus mamilos...

Adoro olhar no espelho após o banho e ver que meu homem me sugou, me marcando como sendo dele... Não aguentei e dei um longo suspiro seguido de um gemido.

Eu não ia ser capaz de esperar mais, neste ritmo em que estávamos.
Estava pronto para me enterrar nela novamente.

 Desta vez ia sair caro pra caralho eu perder o vôo... A passagem não foi de promoção... 
    
Ela e eu somos a metade de um mesmo todo...     
   
Mas quer saber o que eu fiz? Perdi o vôo...

Tudo isto passou... Ao contrario do que imaginamos...

Ninguém sobrevive no amor, com a doença do ciúme... 



Hoje tudo o que aconteceu, nada mais é para mim, que um leve formigamento na lembrança, um toque invisível na minha mente...



Viver e amar é possível...



Hoje vivo um verdadeiro amor, ao lado de alguém que eu espero não tenha tido passagem nas minhas outras vidas...

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                                               Fim.....











Dedicatória:


Um salve para a amizade, família e o amor, Obrigado a todos os leitores...

















Criação da capa, direção de arte e fotografia: Alfredo Guilherme D
Revisão, Diagramação: ZaFellgas 


                                                                  
         Copyright © AGD Publicado S.P, 2014   




Apesar das coincidências com a vida real,

 este e-book é uma obra  de ficção...


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